O amor se comunica

Pe. Haroldo J. Rahm, SJ

Julho com Inácio de Loyola

Décimo quinto dia

Outra vez se tornou presente ao meu espírito, não sem uma grande alegria espiritual, a maneira pela qual Deus havia criado o mundo. Era como uma coisa branca de onde saíam raios, e com a qual Deus produzia luz.

[Autobiografia, 29]

Essa espécie de representação se repete. Outro dia, na missa, ele percebe uma irradiação branca no momento da elevação. Para Inácio o Corpo de Cristo na Eucaristia era uma presença viva, como nos ensina a fé e como é para nós. Mas ele via no Homem-Deus, em sua presença real na hóstia, o centro irradiante do universo em contínua criação. O Cristo da Eucaristia era para ele o Cristo cósmico, o Cristo que Paulo anunciou como

… a imagem de Deus invisível, o Primogênito de toda a criação.
Nele foram criadas todas as coisas nos céus e na terra, as criaturas visíveis e as invisíveis.
… tudo foi criado por ele e para ele.
Ele existe antes de todas as coisas, e todas as coisas subsistem nele.

Porque aprouve a Deus fazer habitar nele toda a plenitude e por seu intermédio reconciliar consigo todas as criaturas, por intermédio daquele que, ao preço do próprio sangue na cruz, restabeleceu a paz a tudo quanto existe na terra e nos céus.

Colossenses 1,15-20

O amor não é estático. De si mesmo é ativo e comunicante. Inácio vê em Deus “alguém que trabalha e age em todas as coisas criadas sobre a face da terra”, e tudo desce “do alto, como do sol os raios, como da fonte o regato”.  

É o teor da sua “contemplação para alcançar amor”, síntese dos seus Exercícios Espirituais. O Santo que foi conduzido a “ver a Deus em todas as coisas”, a ser o homem que vive em Deus, quer formar nos seus exercitantes “contemplativos em ação”.

Essa projeção de tudo em Deus, nos pormenores da vida diária, leva a uma visão universal e verdadeiramente cristã, a um novo estilo de vida em ascensão sempre progressiva, para em tudo encontrar o Criador, e servi-lo no seu plano criador e redentor.

Nasceu daí, em Inácio, um profundo respeito pelos homens e pelas coisas. Dizem que o seu rosto se iluminava de tal forma, ao encontrar um irmão na casa de Roma, que tinha que se vigiar a si mesmo para não causar estranheza aos outros, que não sabiam o que se passava em sua grande alma. Por isso ele inserirá nas Constituições de sua Ordem esta diretiva de que é ele próprio o modelo: “Olhando uns para os outros, crescereis em devoção e louvareis a Deus nosso Senhor, que cada qual deve se esforçar por reconhecer no outro como na sua imagem”.

Meu Senhor Jesus Cristo,
ensina-me a ver a imagem do Pai em todas as coisas.
Em tudo encontro a vibração do teu coração.
Que o meu vibre em uníssono com o teu,
sob a ação do teu espírito, para que juntos elevemos o mundo a Deus.


RAHM, Haroldo J. Inácio de Loyola: um leigo de oração. São Paulo: Loyola, 1989. 68 p. p. 35-36.

JULHO COM INÁCIO DE LOYOLA

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