Nas pegadas do Mestre

Pe. Haroldo J. Rahm, SJ

Julho com Inácio de Loyola

Vigésimo primeiro dia

A prática da virtude, por negativa que possa parecer à natureza, tinha para Inácio apenas um sentido: a imitação de seu Senhor Jesus Cristo. Por isso, a pobreza para ele não era triste, mas devia ser considerada “como mãe”, cujos efeitos, em certos momentos, é bom sentir, “segundo a medida da santa discrição”. Assim em tudo mais. O único interesse é assemelhar-se ao Homem-Deus, viver como ele viveu, adotando os seus critérios e sentimentos.

Inácio desejava demorar-se na Terra Santa. A obediência, porém, ao Guardião do Convento dos Franciscanos fá-lo reconhecer não ser essa a vontade do Senhor. Tantas vezes Ele nos fala por via dos acontecimentos alheios à nossa vontade. Portanto ele põe-se a caminho, uma longa caminhada de quinze anos, até chegar a saber claramente, pela voz da Igreja, o que Deus quer dele.

Afrontas, humilhações, tudo recebe com alegria para se parecer com o Mestre amado. Vai sem licença ao Monte das Oliveiras e é trazido de volta a paulada. Como deve ter revivido em sua mente, nesse trajeto, o que se passou com Jesus nesse mesmo lugar!…

Ainda de regresso à sua terra, encontra a guerra que naquele tempo convulsiona a Itália. Perto de Gênova é aprisionado pelos soldados de Carlos V, como espião. Novamente tem a oportunidade de reproduzir os traços de Cristo em sua Paixão. É submetido a interrogatórios, a buscas, a malévola desconfiança. É levado ao capitão para que se explique.

Nesse trajeto, tive como que uma representação de Cristo quando o levavam, a ele também, conquanto não fosse uma visão. Conduziram-me ao gongo de três grandes ruas, e eu caminhava sem tristeza alguma, ao contrário,com alegria e contentamento.

Autobiografia, 52

Vemos em Inácio, mais uma vez, a realidade que nos parece um paradoxo, e que se reproduz quase sempre na vida dos santos: a alegria no sofrimento. Temos a palavra de Paulo:

Estou cheio de consolo, transbordo de alegria em todas as nossas tribulações.

2 Cor 7,4

Nosso santo estava apenas no início de uma longa carreira. Tribulações não lhe faltarão, e grandes. Mas de antemão, ou melhor, desde logo, abraçara a cruz de Cristo, dela se enamora e não mais se apartaria.

Na nossa pequenez, peçamos ao Senhor que nos faça entender a dura lição da cruz, seja qual for a forma pela qual, para nossa santificação, lhe aprouver enviá-la ou permiti-la em nossa vida. Quando aceita por amor, quando a levamos com Cristo em nosso coração, ela se torna para nós luz, força e consolo. Não nos disse Jesus que seu jugo é suave e seu fardo leve? (Mt 11,30).

Pai, a tua vontade é que eu seja santo.
Ajuda-me a aceitar generosamente tudo o que for do teu agrado para que essa vontade adorável se realize em mim, na imitação de teu filho Cristo Jesus.


RAHM, Haroldo J. Inácio de Loyola: um leigo de oração. São Paulo: Loyola, 1989. 68 p. p. 47-48.

JULHO COM INÁCIO DE LOYOLA

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