Opção de amor

Pe. Haroldo J. Rahm, SJ

Julho com Inácio de Loyola

Vigésimo dia

Em fevereiro de 1523 Inácio despede-se de Manresa, rumo à Terra Santa. No seu alforje de peregrino leva a contemplação da Natividade, que proporá nos seus Exercícios Espirituais. Vai viver intensamente tudo o que projetou em Loyola e em Manresa. Só chegará a Jerusalém em setembro do mesmo ano, e lá permanecerá vinte dias. Viagem inesquecível, impressões indeléveis, de que falará extensamente em sua autobiografia.

Mas nestas breves considerações só podemos nos ocupar de seu itinerário espiritual, das virtudes que mais o empolgavam na contemplação da vida de Cristo, e que mais marcaram a sua evolução interior.

Seu grande desejo foi de conformar-se com a pessoa de Jesus Cristo “pobre e humilhado”. E é interessante ver como logo no início do seu novo percurso, o dinheiro ocupa um lugar de destaque, mas no sentido inverso daquele que busca a maioria dos homens. Logo se manifesta a oposição entre o espírito do mundo e o espírito de Cristo. A sua preocupação é, não a de conseguir dinheiro, mas a de desfazer-se dele. Parece que o que possui lhe pesa nas mãos. Já sobre o banco do porto de Barcelona deixa cinco moedas reluzentes. Inteiramente nas mãos de Deus, ele põe na pobreza a sua confiança.

Quer ir a Jerusalém sem dinheiro algum. Se é obrigado a aceitar algo, logo trata de o distribuir aos mais necessitados. Em sua viagem de regresso, um comandante recusa recebê-lo em seu navio, por não ter dinheiro. Felizmente, encontra outro mais compreensivo que o aceita a bordo. Caminhos de Deus… Jesus não teria nascido num refúgio de animais, onde ele queria nascer, se tivesse sido recebido em uma casa de Belém. E a gente de lá não soube o que perdeu…

Mas os santos encontram sempre amigos. A santidade – a legítima – atrai, cativa, porque Deus se torna presente no homem. Inácio recebe de amigos por onde passa, mas é apenas um veículo que leva aos outros o que lhe dão. O gentil-homem de Loyola chega a nada ter e a desculpar-se por isso com os pobres.

Na meditação do rei temporal e do Rei Eterno, dos seus Exercícios, ele propõe ao que quer “mostrar mais afeição e distinguir-se no serviço total do Rei Eterno e Senhor Universal”, que se consagre inteiramente…

… protestando que quero e desejo, por determinação deliberada, imitar-vos em suportar todas as injúrias e toda ignomínia e toda a pobreza, tanto material como espiritual, desde que isto seja para vosso serviço e louvor, e Vossa Majestade Santíssima queira escolher-me e receber-me em tal estado de vida.

Exercícios Espirituais, 147

Inácio fora escolhido, se determinara, e logo passou a viver de acordo com sua vocação.

Meu Rei Eterno,
ensina-me o que é ser pobre contigo,
e que essa pobreza é, na realidade uma bem-aventurança.


RAHM, Haroldo J. Inácio de Loyola: um leigo de oração. São Paulo: Loyola, 1989. 68 p. p. 45-46.

JULHO COM INÁCIO DE LOYOLA

Início | Introdução
123456789101112
13141516171819202122
232425262728293031

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: