A Lei do Amor

Pe. Haroldo J. Rahm, SJ

Julho com Inácio de Loyola

Vigésimo sétimo dia

É difícil captar todas as nuanças e sutilezas da mentalidade de um santo, e de um homem que tanto deixou de si em sua obra, para ser considerado pelos vindouros. Para Inácio, todo o homem que quer servir a Deus incondicionalmente, sendo homem de oração, é também homem maleável, adaptável a todas as situações em que esteja interessada a glória de Deus. E ele pensa também no homem de amanhã, em todas as evoluções por que passará o mundo futuro. Precisa estabelecer um princípio que seja o pivô que mantenha firme e coesa a sua obra, para a glória de Deus.

Esse princípio concentra-se para ele em duas palavras: a “caridade discreta”, que pede em suas Constituições. Mais caridade, amor, se o quisermos, amor verdadeiro, há qualificativo que o limite? Para Inácio apenas um: o discernimento. E não o limita; apenas faz ressaltar a sua genuinidade.

Inácio é o homem do “mais” e do “maior”. Tudo o que possa fazer por Deus é pouco. É preciso vê-lo em tudo, em tudo encontrar e exprimir o amor, o serviço, tudo fazer reverter à glória do Autor de tudo.

Inácio é também o homem do discernimento: já vimos a importância que a ele dá. O discernimento serve ao amor, no sentido de que leva a escolher o melhor e o maior serviço. Então a “discreta caridade” torna-se sinônimo de “amor discernente”, que opta sempre pelo que mais agrada e melhor serve ao Amor.

Será então a busca de Deus em tudo. Aqui e agora, por conseguinte, em todos os tempos — e isto servirá para todas as épocas, e será o estabilizador de sua Companhia —, o homem se porá humildemente a serviço do seu Senhor, tendo o Amor por propulsor de toda a sua vida: um amor que opta sempre pela maior glória de Deus, na minúcia do dia-a-dia, como nas grandes decisões a serem tomadas pelo indivíduo, ou pela coletividade.

Por isso Inácio pede a seus homens que sigam a “lei interior” que o Espírito Santo dita nos corações. Ele só pode ditar o que é melhor, o que é maior para o amor. No mundo, ama-se sem discernimento, escolhe-se sem amor. O homem de Deus ama e escolhe o que é para melhor serviço e maior glória do Amado.

Quer na vida religiosa, quer no mundo, só um amor assim, que não se busca a si mesmo, pode manter a Ordem e a Igreja em união e crescimento. Um amor que não é limitado por interesses próprios.

Tão bem disse um jesuíta do século XVII: “Não ser limitado, nem pelo imenso: achar, no entanto, o seu lugar no ínfimo, isso é divino”. Divino, sim. Foi a opção de Jesus Cristo.

Senhor,
na minha humildade, que posso fazer para a tua glória? Eis-me aqui, Senhor! Dá-me teu amor e tua graça para escolher sempre o que é do teu agrado, sem o limitar por meus próprios desejos.


RAHM, Haroldo J. Inácio de Loyola: um leigo de oração. São Paulo: Loyola, 1989. 68 p. p. 59-60.

JULHO COM INÁCIO DE LOYOLA

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