Amor em ação

Pe. Haroldo J. Rahm, SJ

Julho com Inácio de Loyola

Vigésimo nono dia

A ânsia da glória de Deus leva Inácio a uma atitude universal. Ele se interessa por todo o mundo de sua época: a Europa, a Ásia, a África, e a América recém nascida para a civilização. O memorial da Companhia diz que:

… na proporção em que ele (Inácio) parece passar por cima da prudência humana quando forma os seus empreendimentos, quando os leva adiante e procura os meios para provê-los, ele usa de toda a prudência divina e humana. O que quer que empreenda, parece primeiro tratar com Deus; e nós como não vemos que ele a tratou com Deus, ficamos estupefatos de ver como ele o empreende.

É famoso e tantas vezes citado o seu princípio lapidar:

Que esta seja a primeira regra das tuas empresas: confia em Deus, como se o seu bom êxito dependesse inteiramente de ti, e em nada de Deus; aplica-lhes, no entanto, toda a tua atividade, como se tu nada tivesses que fazer e Deus tudo.

A sua visão inspirada fá-lo enviar apóstolos por todo o mundo conhecido. E se não está presente pessoalmente, por toda a parte, as suas diretivas e o seu espírito se comunicam pela numerosíssima correspondência que parte diariamente, cartas às dezenas, da casa de Roma, levando o encorajamento, o zelo e a alma de um santo.

Ele dirá os exercícios espirituais, na contemplação para alcançar amor, que “o amor deve pôr-se mais em obras que em palavras”. e ainda “que o amor consiste na comunicação mútua, isto é, que aquele que ama dê e comunique ao amado o que tem ou pode, e igualmente por sua vez, o amado ao que ama”.

Encontramos aí dois princípios de que Inácio deu o vivo exemplo em sua vida. Primeiramente, todas as suas iluminações e o fervor vivamente sentido nos primeiros anos de sua total entrega a Deus, não o levaram a concentrar-se unicamente nessa vida de união. Sua vocação era outra. Que tivesse manifestado o seu amor de modo prático, vemo-lo não só na vida que levou e na obra que criou. Essa mesma obra prolongou o seu amor sobre a Terra pelos séculos afora.

Depois, vemos que o amor se comunica, como em Deus o amor é a comunicação eterna das três Pessoas Divinas entre si; e toda a criação não é mais de que uma expansão e comunicação de amor à sua criatura.

O amor no homem também se manifesta com essa mútua comunicação. E ela tem por fim a ajuda mútua para o crescimento no amor.  E esse mesmo amor, na família religiosa de Inácio, visa uma comunhão bem mais ampla: a humilde, mas zelosa contribuição de seus membros para o crescimento de todo o corpo de Cristo. Como é grande a visão magnânima e arrojada dos santos ante a nossa pequena visão, tão encolhida e individual!

Pai, abre o meu coração na medida dos teus planos eternos sobre mim e sobre aqueles que o meu amor deve alcançar para teu Filho. Só com tua graça poderei realizar algo para tua glória. Confio no teu amor, Pai!


RAHM, Haroldo J. Inácio de Loyola: um leigo de oração. São Paulo: Loyola, 1989. 68 p. p. 63-64.

JULHO COM INÁCIO DE LOYOLA

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