Estratégia divina

Pe. Haroldo J. Rahm, SJ

Julho com Inácio de Loyola

Quarto dia

Ia soar para Inácio a hora da graça, como soa tantas vezes em nossa vida. Ia soar inesperadamente pelo pêndulo da tribulação.

Uma batalha perdida foi o estádio inicial para uma grande vitória. É o dia 22 de maio de 1521. Inácio vai subir as muralhas da cidadela de Pamplona, para a defender da invasão dos franceses. Notemos o fato significativo acerca do sentimento religioso de Inácio: não havendo padre na fortaleza, confessa-se a um companheiro de armas, segundo um costume medieval.

Durante seis horas trava-se o combate e cessa no momento decisivo para Inácio. Deus ali o espera. Uma bala de canhão quebra-lhe a perna direita e fere a esquerda. Inácio cai. Inaugura-se para ele uma era de sofrimento, de interiorização, de graça.

É bem tratado pelos franceses e permanece com eles cerca de duas semanas. Depois é transportado para a sua residência, o Castelo de Loyola, a uns cem quilômetros de Pamplona. Aí é novamente entregue aos médicos e aos cirurgiões. Uma segunda vez lhe quebram a perna que ficou mal soldada. Podemos imaginar a cirurgia daquele tempo…

A morte espreita. O inimigo também ronda, certamente, como leão que ruge (1 Pdr 5,8). Quem lhe dera devorar a presa que lhe causará tantas e tão formidáveis derrotas! O estado do doente se agrava, a ponto de, no dia 28 de junho, julgarem-no perdido.

Talvez os príncipes da Igreja, Pedro e Paulo, festejados no dia a seguir, tenham intercedido insistentemente por ele. Sua vida era preciosa demais para o futuro do Reino de Deus sobre a terra. Iria lutar, não nas muralhas de Pamplona, mas no campo aberto do mundo, contra “as Portas do Inferno” (Mt 16,18), que procuram em vão prevalecer contra a Igreja de Cristo. No dia 29, Inácio melhorou e começou o longo caminho de regresso à vida e aos braços de Deus.

E para nós, quais foram os caminhos de Deus? Quais os períodos da nossa vida que nos aproximaram dele? Talvez após muitas fugas, revoltas, rejeições da graça, tenhamos afinal sido vencidos pela misericórdia que nos perseguia infatigavelmente…  E agora, no momento, que espera Deus de mim? Também eu tenho que tomar parte na luta contra o mal que durará até o fim dos tempos. Agora é a minha vez. Há pontos estratégicos que só eu posso defender contra o inimigo. Olhando para Cristo, olhos nos olhos, poderei ficar indiferente?

Cristo Jesus,
ajuda-me a entender que a tua Providência e
o teu amor estão me guiando.
Desejo servir de acordo com o teu plano para mim.
Aqui estou, Senhor, às tuas ordens.


RAHM, Haroldo J. Inácio de Loyola: um leigo de oração. São Paulo: Loyola, 1989. 68 p. p. 13-14.

JULHO COM INÁCIO DE LOYOLA

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1 comentário Deixe um comentário

  1. Na verdade, é por demais gratificante acompanhar as contribuições do Padre Haroldo. Até que ponto, depois de uma vida de entrega não quis fazer mais a minha vontade do que pô-me à disposição do Plano de Deus para mim?

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