Apelo à conquista

Pe. Haroldo J. Rahm, SJ

Julho com Inácio de Loyola

Décimo sexto dia

Na sua convalescença em Loyola, a devoção de Inácio a Cristo, fundada na fé de sua infância e juventude, inflamou-se no exemplo dos santos, no desejo de os imitar. Mas essa devoção também teve o seu itinerário. Em Manresa, Cristo se revela ao Santo. Ele afirma haver visto a humanidade de Jesus “com os olhos interiores, numerosas vezes e cada vez por muito tempo”.

Ele fica maravilhado com a nova ideia da criação: as representações interiores tornaram viva a ação de Deus em tudo e ele aí situa melhor a humanidade de Cristo. Também ela saiu da mão de Deus e para ela devia retornar. O Verbo se fez homem para cumprir uma missão, como enviado do Pai. Ele foi ungido e enviado para trazer ao mundo a boa nova de esperança e salvação, que será para os humildes (Is 61,1) que o recebem.

As revelações de Manresa foram graças de um alcance extraordinário, porque destinadas a serem compartilhadas com milhares de almas de boa vontade. Todo o conteúdo dos Exercícios Espirituais dimana dessas graças e ensinamentos então recebidos. AÍ, a contemplação dos mistérios de Cristo é de capital importância. Neles se patenteia a maneira como o Filho se oferece ao Pai e realiza a sua missão: vem ao mundo para arrancar os homens às potências do mal. Em toda a sua passagem pela terra é um modelo, o homem perfeito. A grande meta de sua vida é fazer a vontade do Pai.

Para que se realize essa vontade santa, Jesus deve escolher discípulos que sejam o seu prolongamento e levem a cabo a sua missão evangelizadora. Eles serão, por sua vez, enviados: enviados ao mundo para salva-lo com Cristo. Agora, o que interessa a Inácio não é tanto imitar os santos, como responder ao – chamamento de Cristo para ser seu companheiro de conquistas.

Agora, as lições do Mestre estão chegando ao seu limite, pelo menos no que interessa aos dados principais, que levarão o discípulo à entrega definitiva e irrevogável. A Trindade Santa, a criação, a Eucaristia, e a humanidade de Cristo como centro do plano criador de Deus…

Estas coisas que viu então, confirmaram-no e deram-lhe tanta confirmação da fé, que muitas vezes pensou consigo que se não houvesse Escritura que nos ensinasse estas coisas da fé, ele se determinaria a morrer por elas, só por aquilo que viu.

Autobiografia, 29

São palavras de sua autobiografia. Inácio recebeu credenciais divinas para tudo o que nos transmitirá nos seus Exercícios Espirituais.

Creio, meu Pai,
que estás em mim, que faço parte do teu plano criador.
Põe em mim a imagem do teu Filho, para que eu possa ser para ele uma nova humanidade, continuador de sua missão sobre a terra.


RAHM, Haroldo J. Inácio de Loyola: um leigo de oração. São Paulo: Loyola, 1989. 68 p. p. 37-38.

JULHO COM INÁCIO DE LOYOLA

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