Homem de oração

Pe. Haroldo J. Rahm, SJ

Julho com Inácio de Loyola

Vigésimo sexto dia

Impossível é seguir em breves meditações todas as andanças do santo e do fundador. Necessário é limitar-nos ao que estruturou a sua espiritualidade, e aos traços principais de sua personalidade forte e generosa, que deixaria impressa nos Exercícios Espirituais e nas Constituições de sua Ordem.

Inácio foi, como todo fundador e todo santo, um homem de oração. Pode-se imaginar um santo que não o tenha sido, que não tenha haurido a sua virtude na fonte de toda a santidade, que é só Deus? Que não tenha vivido em sua intimidade para no Amor encontrar força para o combate e luz para o caminho? … Ah! se nos convencêssemos que sem oração, oração séria e assídua, nada somos e nada podemos na vida espiritual! Mas oração que parte do coração mais do que dos lábios, oração de cada momento pela entrega total e pelo olhar constantemente posto em Jesus… (Hb 12,2).

Apaixonado de Deus, como todos os santos, Inácio tinha evidentemente sua feição própria. Imaginam-no alguns o homem duro da disciplina, e era antes sensível, afetuoso, admirador das belezas da Criação. O homem que falava com as flores e com as estrelas.

Seu secretário, Lainez, que o observou de perto, escreveu:

À noite, ele subia para o terraço ou sobre o teto da casa, com o céu por cima dele, e aí permanecia absolutamente tranquilo. Tirava o seu barrete e ficava a contemplar o céu. Depois, caía de joelhos, fazia uma profunda referência a Deus, e em seguida se sentava num pequeno banco, porque a fraqueza do seu corpo não permitia outra posição. Quedava-se de cabeça descoberta e imóvel e as lágrimas começavam a lhe manar em ondas, mas com tanta doçura que não se lhe ouviam soluços nem suspiros nem o menor movimento do corpo.

Homem experiente na oração, ele bem pode aconselhar os seus exercitantes. Fora a oração habitual, a do coração que ama, há os momentos especiais, dedicados exclusivamente a ela. Então é importante escolher o local, os gestos, a postura, tudo o que favoreça a paz e a tranquilidade física, para que esta se comunique ao espírito. Tudo com harmonia, espontaneidade, sem constrangimentos.

Inácio recomenda a preparação prévia para a meditação matinal. Quem não sabe e experimentou que a mente trabalha durante o sono, poderíamos dizer, “põe a mesa” para a refeição matinal? … Devemos partir do que somos, de onde estamos, cada um a seu jeito, indo por Jesus ao Pai, por Maria, usando os meios que falam a cada um.

Mas orar, convencermo-nos que tudo depende da oração em nossas relações com Deus, e, consequentemente, com os homens. Ele ouve, ele acompanha de perto, ele leva aonde quer, quando há fidelidade aos seus apelos.

Pai, aceita a minha boa vontade. Por teu Filho amado e por sua santa Mãe, faz-me homem de oração. Que o teu Espírito reforme a minha mente, e que minha vida se conforme em tudo com os critérios de Jesus Casto, nosso modelo e Salvador.


RAHM, Haroldo J. Inácio de Loyola: um leigo de oração. São Paulo: Loyola, 1989. 68 p. p. 57-58.

JULHO COM INÁCIO DE LOYOLA

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