O Princípio e Fundamento

Pe. Haroldo J. Rahm, SJ

Julho com Inácio de Loyola

Décimo oitavo dia

Não longe das margens do rio, testemunha de tão grandes coisas na vida de Inácio, e que seriam subsequentemente grandes coisas para muitos, erguia-se uma cruz. Ali, Inácio agradeceu a Deus as graças recebidas.

Todas essas extraordinárias ilustrações Inácio as quer comunicar a outros de alguma forma. Sintetizá-las-á mais tarde na meditação fundamental dos seus Exercícios Espirituais, verdadeiramente Princípio e Fundamento de toda vida espiritual. É que não há dúvida que o simples enunciado desse princípio, assimilado e aprofundado, tem a energia e força para transformar uma vida. Mas é uma transformação que só se pode operar na ordem da graça, no Amor, que é o Divino Espírito secundando a boa vontade do homem.

O ser humano  é  criado para louvar,
reverenciar e
servir a Deus nosso Senhor
e, assim, salvar-se.

As outras coisas sobre a face da terra
são  criadas para o ser humano e
para o ajudarem a atingir
o  fim para o qual é criado.

Daí se segue que ele deve usar das coisas
tanto quanto o ajudam para atingir o seu fim,
e deve privar-se delas tanto quanto o impedem.

Por isso, é necessário fazer-nos indiferentes
a todas as coisas criadas,
em tudo o que é permitido à nossa livre vontade
e não lhe é proibido.

De tal maneira que, da nossa parte, não queiramos
mais saúde que enfermidade,
riqueza que pobreza,
honra que desonra,
vida longa que vida breve,
e assim por diante em tudo o mais,
desejando e escolhendo somente
aquilo que mais nos conduz ao fim para o qual somos criados.

Exercícios Espirituais, 23

Por detrás de toda a espiritualidade inaciana, como em pano de fundo, está a luz da Revelação Divina. E ela leva a tudo referir e fazer convergir para o Senhor Jesus. O homem é criado para ser a imagem de Deus, “perfeito como o Pai Celeste é perfeito” (Mt 5,48), para atingir “o estado de Homem Perfeito à medida da estatura da plenitude de Cristo” (Ef 4,13), na força do “Espírito de Verdade” que o “conduzirá à verdade plena” (Jo 16,13). Essa verdade deverá levá-lo a louvar, reverenciar e servir a Deus de modo livre e consciente, no humilde e amoroso reconhecimento de sua total dependência do Criador. Mais uma vez, é uma transformação que só pode ser realizada no divino Espírito Santo, e que é, antes de mais, uma comunicação no amor.

A criação de Deus está em movimento constante, e com ela o homem, que segue a Cristo livremente, entre todas as coisas que não têm razão, vendo a Deus nelas e servindo-o por elas e com elas. A indiferença, portanto, será apenas uma primazia dada ao Criador, não importa onde ele nos coloque, nem a situação em que vivamos. Tudo se torna luminoso, tudo reflete Deus, se vivemos nesse princípio: fomos criados para Deus e no seu serviço está todo o nosso bem.

Senhor,
essas ideias tão sublimes me ultrapassam.
Dá-me coragem para aprofundá-las no silêncio da meditação, para que passem a ser o móvel orientador e propulsor de toda a minha vida, para a tua maior glória.


RAHM, Haroldo J. Inácio de Loyola: um leigo de oração. São Paulo: Loyola, 1989. 68 p. p. 41-42.

JULHO COM INÁCIO DE LOYOLA

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