Contágio de santidade

Pe. Haroldo J. Rahm, SJ

Julho com Inácio de Loyola

Vigésimo oitavo dia

Francisco Xavier vai para as Índias para evangelizar os povos do Oriente. Inácio escreve-lhe, em julho de 1553, pedindo-lhe que volte a Portugal, a fim de convencer o rei a dar “ordenações favoráveis” ao acréscimo do cristianismo na Guiné, na Etiópia, no Congo, no Brasil…, e para dar à Sé Apostólica informações certas sobre as questões indianas. Francisco não recebe a carta, porque morre no limiar da China, em dezembro de 1552. Só três anos mais tarde chega a notícia a Roma.

Mas outras cartas lhe haviam chegado. Inácio assina-se: “Todo vosso, sem poder nunca vos esquecer”. E Francisco, por sua vez: “Essas palavras, eu li com lágrimas, com lágrimas as escrevo. Cheio de lembranças de outrora, eu penso no grande amor que tivestes e tendes sempre por mim…”.

Sim, Francisco devia ter lembranças pungentes “de outrora”, de seus dias na Universidade de Paris, das insistentes palavras de Inácio que o levaram a tudo deixar das honrarias vãs que sonhara, da profunda amizade que os ligara na grande obra de evangelização.

Quando, em 1540, Inácio faz saber a Francisco que o rei de Portugal pede apóstolos para as Índias, logo responde: “Aqui estou!”. Quantos antes dele haviam pronunciado esse “Ecce ego!”, incluindo a humilde Virgem de Nazaré. Quantos o pronunciariam ainda!

Francisco parte e percorre 100.000 quilômetros de regiões pagãs do Oriente, no seu apostolado estupendo. É preciso imaginar as condições de viagem daquela época… Ele não chega a voltar à Europa para inflamar a outros na sua chama apostólica, como Inácio esperara. Mas não é preciso. O servo bom e fiel vai alegrar-se com seu Senhor (Mt 25,21), porque Deus tem outros desígnios e outros meios. Milhares de irmãos seguirão as pegadas do apóstolo.

Já consideramos a alegria dos que seguem a Cristo e sofrem por ele e com ele. Mais um testemunho numa carta de Francisco, enviada de Cochim:

Não sei mais o que vos dizer sobre estas regiões, a não ser isto: são tão grandes as consolações comunicadas por Deus nosso Senhor aos que trabalham entre os infiéis para os converter à fé de Cristo que, se existe alegria nesta vida, é sem dúvida essa.

É essa a verdadeira alegria: não a do próprio triunfo ou da própria satisfação, mas a que leva a nova dedicação e novo serviço, como Maria, ao acolher em si o Verbo de Deus após o seu Fiat!

Oh! meu Deus!
Como estou longe do entusiasmo e generosidade dos teus santos em teu serviço! Que eu saiba ser amigo terno e dedicado como eles foram, e que essa ternura venha de teu amor em mim: amor generoso que dá sem contar.


RAHM, Haroldo J. Inácio de Loyola: um leigo de oração. São Paulo: Loyola, 1989. 68 p. p. 59-60.

JULHO COM INÁCIO DE LOYOLA

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