Servo bom e fiel

Pe. Haroldo J. Rahm, SJ

Julho com Inácio de Loyola

Trigésimo primeiro dia

Meditamos sobre a vida dos santos não para os admirar, nem mesmo para os imitar. Cada um é como é, tem que ser santo, sim, mas a seu modo. O que não significa deixar-se ir… “Sou como sou!” A santidade pede amor. E o amor dos santos deve inflamar o nosso, como acendemos nossa vela no Círio Pascal, e comunicamos aos outros o nosso fogo.

Então, inflamados no amor, podemos dizer com Inácio: ”Se eles o fizeram, por que não eu?…”. “Ama e faze o que quiseres…” Um outro grande santo bem sabia que, se amarmos verdadeiramente, nunca ofenderemos o Amor. E procuraremos assemelhar-nos ao Amado. Para isso, torna-se necessária a morte do velho homem, para vivermos ressuscitados com Cristo (Rm 6, 5-6). A santidade é para os fortes em Cristo, os valentes, que não temem a luta contra o mal, em si mesmos e no mundo.

Inácio é o homem do “agere contra”, agir contra as tendências más da própria natureza, enfrentá-las — sempre com discernimento — para dominá-las. Ele quer legar aos seus — e a todos, pois os Exercícios Espirituais são para todos — o desejo do mais e do maior no serviço de Deus.

Chegou também a vez do “servo bom e fiel” ir receber a sua recompensa e abraçar os companheiros que o precederam. Trabalha até o fim. Na véspera de sua morte ainda se ocupa da correspondência, dos negócios da Companhia. Os santos morrem de pé, mesmo se estirados no leito. A ação exterior pode ser limitada pelas circunstâncias, mas não a do coração, enquanto bate.

A morte de Inácio nada tem de espetacular. Cerca de meia-noite do dia 30 de julho de 1556, o irmão, seu vizinho de quarto, ouve-o exclamar: “Meu Deus!”. Na manhã seguinte já o encontram agonizante. Partiu, escreverá Polanco, que o acompanhou de perto, “sem nos chamar para nos dar a sua bênção, sem designar sucessor, sem ter dado a última demão às Constituições, sem nenhum desses gestos solenes que os servos de Deus costumam fazer… Morreu da maneira mais comum deste mundo!”

“Preciosa aos olhos de Deus é a morte dos seus santos!” (Sl 116,15). Podemos imaginar o que foi o encontro de Inácio com seu Rei e Senhor tão amado e tão fielmente servido? E o nosso, como será? Enquanto o tempo nos é dado, digamos com o nosso santo, neste dia do seu nascimento para o Céu:

Senhor, ensina-me a ser generoso,
a servir-te como mereces,
a dar sem contar,
a lutar sem temer os ferimentos,
a trabalhar sem buscar o repouso,
a me dedicar sem esperar outra recompensa
que não seja a tua Santíssima Vontade.
Assim seja!


RAHM, Haroldo J. Inácio de Loyola: um leigo de oração. São Paulo: Loyola, 1989. 68 p. p. 67-68.

JULHO COM INÁCIO DE LOYOLA

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