Primeiras conquistas

Pe. Haroldo J. Rahm, SJ

Julho com Inácio de Loyola

Vigésimo quinto dia

Já em Manresa formara-se um anelo no coração de Inácio: compartilhar com outros o que vivia. Era o embrião de sua Ordem que Deus nele colocava.

Na sua meditação das Duas Bandeiras, da escolha entre o Cristo, chefe supremo, e o nosso inimigo mortal, ele faz considerar

… o discurso que Cristo nosso Senhor dirige a todos os seus servidores e a todos os seus amigos que ele envia em missão. Recomenda-lhes que procurem ajudar a todos os homens, incitando-os, primeiramente, à suprema pobreza espiritual, e não menos à pobreza efetiva se a Divina Majestade for servida e houver por bem escolhê-los: em segundo lugar, ao desejo de humilhações e desprezos, porque dessas duas coisas resulta a humildade.

Exercícios Espirituais, 142

Inácio está chegando ao ponto aonde Deus o quer levar, termo do caminho percorrido desde Loyola até Paris. Doze anos se passaram desde a luta e ferimento de Pamplona. Deus não tem pressa. Tem a eternidade por sua conta, e sabe a hora marcada para os grandes momentos do seu Reino sobre a terra.

O Santo tem o carisma do entretenimento espiritual e do discernimento. Com facilidade traduz em palavras tudo o que experimentou na oração. E assim vai ganhando os seus homens para Cristo. Para companheiro de Cristo, ele ganha em primeiro lugar, seu companheiro de quarto, Pedro Fabro. Tudo é marcado por Deus, e assim também o encontro das almas que se devem ajudar mutuamente no caminho da santidade.

O outro companheiro de quarto, Francisco Xavier, é uma conquista mais difícil. É muito mais jovem do que Inácio. Mas há outras diferenças pronunciadas entre os dois, embora sejam ambos fidalgos espanhóis. Um, a tudo renunciou por um ideal superior: veste-se mal, tem ar pouco afável, só no olhar leva a chama que o distingue como líder. O outro, elegante, estimado, líder a seu modo, por suas maneiras e aspirações mundanas. Ambos, tremendamente ambiciosos, mas de ambições opostas.

O certo é que Francisco acaba vencido. Inácio ganha para Cristo o futuro “Apóstolo das índias”, que abandonará todos os sonhos terrenos – e são muitos – para também seguir a Cristo pobre e humilhado. Em uma de suas cartas da índia, clamará “contra os que se preocupam com saber muito, em vez de fazer aproveitar da sua ciência os que dela precisam”.

Outros se juntam a Inácio. A vontade divina se esclarece. Nasce a Companhia que tantas vitórias alcançará para o Reino de Deus. E para isso Deus se serve de um homem que distingue com favores extraordinários.

Mas esse homem corresponde com tudo o que tem, sem reservas…

Ah! Senhor…
quantas vezes fui infiel à graça e frustrei os teus desígnios de santidade para mim. Toma, Senhor, tudo o que tenho e possuo. Ensina-me a nada desejar a não ser a tua graça e o teu amor!


RAHM, Haroldo J. Inácio de Loyola: um leigo de oração. São Paulo: Loyola, 1989. 68 p. p. 55-56.

JULHO COM INÁCIO DE LOYOLA

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