O dom do discernimento

Pe. Haroldo J. Rahm, SJ

Julho com Inácio de Loyola

Sexto dia

É impressionante pensarmos que, enquanto Deus trabalhava na alma de Inácio, preparava também o terreno para uma abundante colheita em milhões de almas que seriam guiadas e esclarecidas pelos Exercícios Espirituais.

Inácio se observa. Concentra-se e analisa-se. É o que tanto deixamos de fazer, vivendo à superfície de nós mesmos, desatentos aos impulsos da graça que também nos quer compelir para os pensamentos de Cristo.

Um dos traços fundamentais da espiritualidade inaciana será a experiência de discernimento, em que o homem se controla a si mesmo, pondo freio à imaginação e à sensibilidade, para que juntamente com a razão possa julgar e descobrir o que é certo ou errado, o que vem de Deus, ou o que vem de nosso próprio eu, sutilmente em busca de vantagem pessoal, ou do inimigo…

Observando-se com sinceridade, na calma que o repouso forçado lhe proporciona, Inácio vê que certos pensamentos lhe causam alegria, enquanto outros o deixam triste. Examina mais. E chega a uma conclusão que é, afinal o eco das Escrituras. Ela nos ensina que toda a alegria vem de Deus, e que o não dele não pode dar alegria ao coração. “A alegria do Senhor é nossa força” (Ne 8,10), “a alegria é concedida ao homem de coração reto” (Sl 96,11). Se estamos com Cristo, “ninguém… tirará a (nossa) alegria” (Jo 16,22). Se dizemos, com certa amargura, que atravessamos um ‘”vale de lágrimas”, e é certo que temos que chorar, porque Cristo chorou, e por que temos que levar nossa cruz com ele (Mt 16,24), é certo também que ele quer que vivamos no “perpétuo festim” de “um coração contente” (Prov 15,15), e que a nossa “alegria seja completa” (Jo 16,24). Paradoxo? Não. Foi o que descobriu Inácio.

É próprio de Deus dar a verdadeira alegria e contentamento espiritual, suprimindo toda a tristeza e perturbação que nos inspira o inimigo. É próprio deste último lutar contra essa alegria e essa consolação espiritual.

EE 329

Inácio fará novas descobertas, graças de Deus também em nosso favor.

Nos nossos problemas e aflições temos um ponto de referência, uma agulha que nos aponta o Norte. Por que estamos tristes? Sabemos analisar com lealdade a causa de nossa perturbação? Nossos corações estão ancorados no Senhor? Ou singramos sozinhos no mar da vida? Ele quer que digamos com o salmista:

Apenas me deito, logo adormeço em paz, porque a segurança de meu repouso vem de vós só, Senhor.

Sl 4,7

Meu Deus e Senhor,
quero estar sempre atento às tuas boas moções em mim, e discernir o que é para a tua glória e para o meu progresso no teu amor.


RAHM, Haroldo J. Inácio de Loyola: um leigo de oração. São Paulo: Loyola, 1989. 68 p. p. 17-18.

JULHO COM INÁCIO DE LOYOLA

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