Graças transformantes

Pe. Haroldo J. Rahm, SJ

Julho com Inácio de Loyola

Quinto dia

Enquanto o corpo de Inácio ia se restabelecendo, Deus ia trabalhando em sua alma, esperando dele a correspondência que faria dele um santo e uma coluna da Igreja de Cristo.

E o meio mais eficaz para a necessária metanoia e mudança de mentalidade, para ter “o pensamento de Cristo” (l Cor 2,16), foi a leitura. Nada tendo que fazer, estendido sobre o seu leito convalescente, Inácio pediu livros. No castelo só havia a Vida de Cristo e a Legenda Dourada, casos e episódios da vida dos santos.

Com essa leitura, Inácio sonhou. Sonhou muito. Sonhou, talvez, como Natanael debaixo da figueira, com os destinos do seu povo, com os rumos de sua própria vida. E Jesus também olhou para ele com amor, viu a Ihaneza do seu caráter, e confirmou a sua escolha eterna (Jer 31,3). Inácio, como Natanael, começava a admitir o “Rabi… Filho de Deus”, na intimidade de sua vida. E sonhando com a vida dos santos, de quanto haviam feito para a glória de Deus, e quanto ele mesmo poderia fazer também, Cristo Ihe falava ao coração: “Verás coisas maiores do que estas” (Jo 1, 48-50).

Inácio melhora. Seu corpo se fortalece, mas sua alma permanece em luta e dividida. Exige uma nova operação na perna, cirurgia estética, para ficar com o andar perfeito. Dividido, sim, e ainda vaidoso. Outros, porém, são os planos de Deus.

Inácio fica preso às suas leituras. Seus sonhos de conquista vão se transportar para outra esfera. Mas ainda vacila. Do rei temporal para o Rei Eterno dos seus Exercícios. Da Virgem Maria para outra imagem de sonho mundano ainda acalentado…

Vê-se na corte, honrado, aplaudido por nobres feitos. Vê-se eremita no deserto, peregrino de Jerusalém, ou numa gruta inóspita, entregue a dura penitência. Quer imitar os santos. Sim. Por que não ele? A graça o impele, pressiona. Poderia dizer com o Apóstolo que “a caridade de Cristo o compele” (2 Cor 5,14). Resta-lhe responder.

E nós, que fazemos do nosso tempo? Quais são os nossos sonhos? Que são as nossas leituras? Talvez digamos que não temos lazer para uma boa leitura. Sejamos honestos com Deus e conosco mesmos… Que vamos fazer para melhor conhecer Jesus Cristo e para seguir em suas pegadas? Que vamos fazer para a glória de Deus?

Senhor,
inspira-me na escolha de bons livros, para que as imagens ideias de minha mente se dirijam para o que é de teu interesse.

E para que eu siga o caminho que o Pai marcou para mim, para a sua maior glória.


RAHM, Haroldo J. Inácio de Loyola: um leigo de oração. São Paulo: Loyola, 1989. 68 p. p. 15-16.

JULHO COM INÁCIO DE LOYOLA

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