Histórias que entram por uma porta e saem por outra
Se ainda há quem acredite que minhas crônicas nascem prontas, lamento desapontar. Elas apanham tanto, antes de ganhar a luz, que me dá até pena. Fosse um ser humano, sujeito à sensibilidade na hora de cortar, apareceriam cheias de ataduras, de tantos golpes que levaram. Eu sigo meu professor Graciliano e corto, corto, corto, reescrevo sem pena. Às vezes, o resultado não me agrada e simplesmente deixo um trabalho inteiro de lado, para que apodreça e morra no esquecimento, ou para tentar melhorá-lo depois. Mas, eventualmente, nada se salva.
Diário de um desespero – ou quase - XXVI
João Carlos Pereira
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