Uma família que contava versos

Com o dinheiro pouco e regrado, a mãe se consumia com o pagamento do aluguel, porque era uma desonra atrasar um dia sequer. Com jeito jocoso, mas em forma de verdadeira oração, um dos meninos, que depois seria médico famoso na cidade, dizia: “São José, nos dê um chalé”. O outro, que alcançou o desembargo, completava: “São João, nos dê um porão”. Eram líricas alusões ao teto próprio com que sonhavam, para que se livrassem do senhorio.

Diário de um desespero – ou quase - IV

João Carlos Pereira

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Histórias que entram por uma porta e saem por outra

Se ainda há quem acredite que minhas crônicas nascem prontas, lamento desapontar. Elas apanham tanto, antes de ganhar a luz, que me dá até pena. Fosse um ser humano, sujeito à sensibilidade na hora de cortar, apareceriam cheias de ataduras, de tantos golpes que levaram. Eu sigo meu professor Graciliano e corto, corto, corto, reescrevo sem pena. Às vezes, o resultado não me agrada e simplesmente deixo um trabalho inteiro de lado, para que apodreça e morra no esquecimento, ou para tentar melhorá-lo depois. Mas, eventualmente, nada se salva.

Diário de um desespero – ou quase - XXVI

João Carlos Pereira

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O amor segundo Lindanor Celina e Serge Casha (II)

Em 2017, o Pará prestou à Lindanor um grande tributo, celebrando, de todas as formas, seu centenário. Onde quer que estivesse – e com certeza está no céu – ela deve ter experimentado um sentimento ambíguo. Primeiro, a felicidade por ter seu nome lembrado, reverenciado, aplaudido e o talento de grande escritora, reconhecido. Houve eventos para marcar a data em muitos lugares, inclusive na França.

Diário de um desespero – ou quase - XXV

João Carlos Pereira

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O amor segundo Lindanor Celina e Serge Casha (I)

Quando os olhos dos dois se cruzaram, todos os sinos de Paris tocaram ao mesmo tempo. Uma noite de 14 de julho e seu espetáculo pirotécnico brilharam em pleno dia. O cupido, que já rondava o ambiente, avisado de que teria trabalho, naquele lugar, disparou duas flechas embebidas em paixão no coração de cada um e, partir de então, o mundo nunca mais foi o mesmo. Pelo menos o mundo de Lindanor Celina e de Serge Casha.

Diário de um desespero – ou quase - XXIV

João Carlos Pereira

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As lições (não aprendidas) do BBB e o tempo presente

Minha casa, dizem as filhas, está o próprio BBB. Todo dia, para espantar o tédio, elas perguntam quem vai para o paredão. A resposta vem em coro: ele! Como entre nós só há um ele, e esse ele se chama João Carlos Pereira, não resta dúvida. Ainda que o nosso paredão seja simbólico e nada tenha a ver com os históricos “perdóns”, diante do qual os inimigos da pátria são legalmente fuzilados, não é confortável ser mandado para lá.

Diário de um desespero – ou quase - V

João Carlos Pereira

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Uma “palavrinha” de 3360 toques, antes da crônica

Quando a pandemia acabar e o desespero não mais existir, o “Diário” desse tempo também perderá o sentido. Mas o prazo final, apenas Deus Nosso Senhor conhece. Em seguida, deverá surgir o “Diário da Liberdade – ou quase”. O passo imediato será reunir todo material e mais outros que também falam de autoconhecimento e do anseio pelo fim das minhas amarras internas em um livro, cujo título já está mais ou menos definido, mas ainda não decidido.

Diário de um desespero – ou quase - XVI

João Carlos Pereira

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Linda descoberta, ainda que tardia

61 anos passaram e nem sequer percebi, mas tive de viver todo esse tempo para me apegar a uma francesa chamada Henriette Ragon, que nasceu em 1918 e morreu aos 96 anos, em 2015. Se alguém quiser saber mais sobre ela e jogar seu nome no Google, talvez apareçam poucas opções, mas, em vez disso, preferir a forma como ficou conhecida, basta colocar Patachou.

Diário de um desespero – ou quase - XXIII

João Carlos Pereira

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