Categoria: Crônicas de João Carlos Pereira

Crônicas do jornalista e escritor João Carlos Pereira (1959-2020), de Belém do Pará.

A língua em que me pronuncio no amor à vida e à liberdade

Minha relação inicial com o idioma foi confusa e atormentada. Tive péssimos professores, que achavam que a língua era um amontoado de regras, em estado de atenção, incontestáveis, mais infalíveis do que o Papa e prontas para ser seguidas cegamente. Não havia possibilidade do aceitável ou permitido no registro oral.

Diário de um desespero – ou quase - LXXX

— João Carlos Pereira

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Nada muda, um sambinha corta o silêncio e as estrelas mandam lembranças

O silêncio das ruas que ajudou a levar o sambinha até minha sacada me cobriu novamente de solidão. No céu, as constelações que mais amo, as “Três Marias” e o “Cruzeiro do Sul”, brilhavam. Acho que, percebendo que eu as admirava, mandavam um alô. A vida é complicada. Viver não é para amadores. Eu sou amador.

Diário de um desespero – ou quase - LXXXV

— João Carlos Pereira

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A regência do verbo namorar e a delícia de ser casado com

O que isso tem a ver com o verbo namorar? Nada. Ou melhor: tudo. Entre o político e gramaticalmente correto, neste caso, eu prefiro o verbo namorar em sua versão estropiada, errada, inadequada, ofensiva aos bons modos e aos salões do saber. Todo mundo diz que fulana namora com sicrano (ou com sicrana) e ninguém deixa de entender. Não estou pregando a desobediência cívico-gramatical, mas apenas dando uma banana às chatices. A vida podia ser mais simples e arejada sem determinadas cobranças ou artificialismos.

Diário de um desespero – ou quase - LXXXII

— João Carlos Pereira

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Feriadão, romaria e procissão: cada coisa no seu lugar

Nesta quinta-feira, teríamos, a rigor, a única procissão da Igreja Católica. As demais são romarias. Quando há o Santíssimo, é procissão. Sem o Santíssimo, romaria. Mas a fala do povo misturou tudo e, por exemplo, se chama procissão para o Círio, quando o certo seria romaria. Na hora da emoção, vale tudo.

Diário de um desespero – ou quase - LXXXI

— João Carlos Pereira

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Santo Antônio é de Lisboa ou de Pádua?

Um dos maiores santos da Igreja se chamava Fernando, ou Fernão, Antônio de Boulhões e nasceu em Lisboa, no dia 15 de agosto de 1195. Como se vê, era português. Viveu pouquinho, apenas 36 anos, e teve a graça de conviver com outro santo pelo qual o mundo cristão é apaixonado: São Francisco. Reconhecido como pregador extraordinário e grande realizador de milagres, ainda em vida, foi canonizado apenas onze meses depois de sua morte. Santo Antônio é um caso raríssimo entre os humanos com direito à glória dos altares.

Diário de um desespero – ou quase - LXXXIII

— João Carlos Pereira

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Como se faz um santo – passo a passo de uma longa burocracia

No mês dos três santos populares e associados às festas sob bandeirinhas, com direito à fogueira e à boa mesa – Antônio, João e Pedro – além de Marçal, um pouco menos conhecido, é bom refletir sobre a santidade, um estado cada vez mais próximo de todos nós, que dispensa o diploma da Santa Sé e ajuda a transformar o mundo, através da bondade e de gestos concretos de amor desinteressado.

Diário de um desespero – ou quase - LXXXIV

— João Carlos Pereira

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O limite da bagagem é uma mochila

O tempo vai ensinando que o menos é cada vez mais do que aquilo de que necessitamos. Quando escrevo para jornal, sei que possuo limites. No Liberal são 3.000 toques. Na Voz de Nazaré, 1.800. Antes das mudanças gráficas nos dois veículos, os espaços eram maiores. Quem produz para veículos impressos, precisa ser disciplinado. O mesmo serve para televisão. Com espaço reduzido, eu continuo a dizer o que penso, apenas com menos palavras. Se passar, não sai. Simples assim.

Diário de um desespero – ou quase - LXXIX

— João Carlos Pereira

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Me chame, São Pedro. Mas não agora, tá?

Já gostei muito do mês de junho. Até ansiava por ele. Era em junho que eu dançava quadrilha marcada em francês, na Aliança. Nessa época, aumentei minha família de afetos com o compromisso selado sobre a fogueira. Ganhei uma irmã, uma comadre e uma porção de amigos. Me esbaldava nas iguarias e tinha gosto de enfeitar o quintal de casa com bandeirinhas. Adorava ver Boi e Pássaro no terreiro.

Diário de um desespero – ou quase - LXXVIII

— João Carlos Pereira

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Dois pés na jaca, ao mesmo tempo, seria muita leseira

Não foi preciso que eu inventasse esse hábito de escrever uma crônica todo dia, fosse para me manter vivo e ativo, com responsabilidade junto a um público fiel, leitores cuja face conheço, outros que sequer imagino onde estão e quem são, porque a internet possui o mundo como limite, para que tivesse noção da minha fragilidade e de como me atrapalho com um simples novelinho de lã.

Diário de um desespero – ou quase - LXVII

— João Carlos Pereira

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