Categoria: Crônicas de João Carlos Pereira

Crônicas do jornalista e escritor João Carlos Pereira (1959-2020), de Belém do Pará.

Aos 80 anos, Waldemar Henrique foi tema do “Quem São Eles”

As comemorações dos 80 anos do maestro Waldemar Henrique, iniciadas na sexta-feira,15 de fevereiro de 1985, foram estendidas por todo ano e a largada dos festejos aconteceu em clima de carnaval. Com a necessária antecedência de doze meses, a direção da Escola de Samba “Quem São Eles” marcou uma visita a WH para comunicar-lhe que ele seria o tema do grande desfile do ano seguinte.

— João Carlos Pereira

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Mário “Cuia”, Chico Buarque e uma história contada por Zeno Veloso

A historiadora do carnaval carioca sabia identificar as diferenças sócio-econômicas da festa. Na Zona Sul, os moradores faziam uma vaquinha, construiam um palanque e dançavam lá dentro, como se fossem coretos. Na Zona Norte residia a tradição, o verdadeiro carnaval de rua, com casais fantasiados de caveira, por exemplo, namorando.

— João Carlos Pereira

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Tanta gente que explodiu. Tantas vidas pelas ruas.

Existia um senhor que batia à nossa porta, um português, oferecendo peixe e camarão. Naquela época, não havia geladeiras como as de agora, elétricas. Lembro da caixa recheada com gelo em escama, comprado na fábrica Guarany, nossa vizinha, depois substituída por uma geladeira movida a querosene. Comprávamos tudo fresquinho, sem precisar ir ao mercado. “Seu” Peixe Camarão era o fornecedor de mariscos, num tempo em que não se falava em frutos do mar.

— João Carlos Pereira

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Uma aposentadoriazinha e outra parte de sua história

Antônio Erlindo Braga era auditor do Tribunal de Contas do Estado do Pará, quando chegou-lhe às mãos o processo de aposentadoria compulsória da professora Graziela Guimarães Pimentel. Ele analisou com atenção o pedido e o deferiu, lamentando o valor do benefício, depois de uma vida dedicada ao magistério, à época pouco menos de R$ 180,00. Isso mesmo: cento e oitenta reais. O salário mínimo, em 1994, ano era de exatos cem reais. Hoje, a professora Graziela Guimarães Pimentel não receberia mais do que R$ 1.800,00.

— João Carlos Pereira

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A história humanizada de uma mulher que apenas queria amar

Quando comecei a escrever sobre a professora Graziela, meu interesse era apenas a Arara. No máximo, aquela mulher a quem todos chamavam de louca. Havia um ser humano e uma personagem. Eu buscava a personagem. Depois do primeiro texto, o sentido da busca mudou. Por trás da caricatura existia uma criatura tão interessante, que a Arara perdeu a relevância. Na verdade, aos poucos foi desaparecendo de meus olhos e me tomei de tanta ternura pela pobre mulher, que comecei a procurar seu coração.

— João Carlos Pereira

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