Categoria: Crônicas de João Carlos Pereira

Crônicas do jornalista e escritor João Carlos Pereira (1959-2020), de Belém do Pará.

A difícil decisão de colocar ou não o Círio na rua

Por conta de uma angústia que começa a crescer no coração da cidade, esta semana muitas pessoas me indagaram se haveria Círio ou estaria cancelado. Também fui questionado se, desde 1793, quando a romaria saiu pela premira vez, aconteceu alguma interrupção. Essa pergunta, por incrível que pareça, é mais fácil que a primeira. Nem febre espanhola, nem surto de varíola, nem cabanagem, nem revolução de 30, nem primeira ou segunda guerras, nem quando a Irmandade brigou com a Igreja e o cortejo saiu sem padres...

Diário de um desespero – ou quase - XXXVI

João Carlos Pereira

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Os mortos que espiam e os que assombram – II (final)

Não há, eu entendo, uma escala de medos, mas se tivesse de classificar os meus, ia por ordem. Um: na infância, o fura-dedo. Era um homem do setor de erradicação da malária, que passava nas casas, à tarde, avisando que, à noite, voltaria para coletar sangue. Eu tinha tanto horror de uma reles furada de alfinete, que corria para me esconder no galinheiro de casa e vinha de lá debaixo de vara. Condução coercitiva. Uma vergonha para a espécie humana.

Diário de um desespero – ou quase - XXXV

João Carlos Pereira

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Os mortos que espiam e os que assombram – I

Jamais consegui aceitar a ideia de que pessoas – falo dos vivos, claro - iam a cemitérios em busca de paz. Conheci muita gente que afirmava gostar de absorver o silêncio daqueles lugares, enquanto caminhava entre as alamedas, olhando retratos sombrios de gente morta há tempos. Todos sérios, invariavelmente com a cara fechada, nenhum sorriso.

Diário de um desespero – ou quase - XXXIV

João Carlos Pereira

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Para fugir do tédio e já pensando no Círio

Para criar uma rotina, inventei de escrever estas crônicas, o que é muito bom. Pelo menos para mim, porque me obrigo a produzir, a manter a cabeça pensando, a ter um compromisso diário com mais de 700 pessoas, via zap, e com não sei quantas, no Face. Nas redes sociais, acompanho muitas sugestões de como passar o tempo. Umas são malucas, outas fazem bom sentido. Escrever crônicas faz sentido.

Diário de um desespero – ou quase - XXXII

João Carlos Pereira

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O prazer de ir à missa e de ver pela TV

É difícil, muito difícil, ser domingo e não ter ido à missa. Não é nada assemelhado com a percepção de quebrar um hábito, de sair de uma rotina de tanto tempo. Não ir à missa é uma ausência. Uma trincheira montada diante da necessidade de caminhar ao encontro da felicidade e ficar retido a dois passos dela. Um vazio escuro, como um abismo em plena tarde.

Diário de um desespero – ou quase - II

João Carlos Pereira

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Flores e amores a quem ainda vive

Não sei se existe uma pessoa que goste de velório. Se alguém me vir num, exceto no meu próprio, cuja presença será indispensável, pode ter certeza de que o finado era muito querido, ou que tinha especial apreço pela família enlutada, como se dizia antigamente, quando ainda havia anúncio fúnebre nos rádios. Tirando isso, não faço social da morte.

Diário de um desespero – ou quase - XXX

João Carlos Pereira

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O Mata Velho, o Pega Velho e o Serra Velho

Quem contava essa história era a Lindanor Celina, que a escreveu, com todos os detalhes, no romance “Menina que vem de Itaiara”, o nome fictício de sua Bragança querida. Era a Pasárgada de Bandeira; a Aruanda de Eneida. O território livre, terreno do sonho, no qual entrava e saía sem precisar de passaporte. Itaiara é a terra do nunca. É minha Paris idealizada, quando estou por aqui. Lá tudo pode acontecer e ninguém é preso, humilhado, sofre frustração ou adoece e morre de corona vírus. É minha Paris inexistente.

Diário de um desespero – ou quase - XXVIII

João Carlos Pereira

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