A menina seca atrás da porta, em Santo Alexandre
Falavam em casa, e eu, que sempre adorei ficar escutando conversa de adulto, justamente porque era proibido e toda informação era mal elaborada, ouvi, sem querer, a história da menina que secou, no exato momento em que tentou agredir a mãe, com uma vassoura, tamanha sexta-feira da Paixão. Como um castigo divino, um raio paralisante caiu-lhe sobre a cabeça e ela murchou. Mumificou-se todinha.
Diário de um desespero – ou quase - XLVI
— João Carlos Pereira
