A menina seca atrás da porta, em Santo Alexandre

Falavam em casa, e eu, que sempre adorei ficar escutando conversa de adulto, justamente porque era proibido e toda informação era mal elaborada, ouvi, sem querer, a história da menina que secou, no exato momento em que tentou agredir a mãe, com uma vassoura, tamanha sexta-feira da Paixão. Como um castigo divino, um raio paralisante caiu-lhe sobre a cabeça e ela murchou. Mumificou-se todinha.

Diário de um desespero – ou quase - XLVI

— João Carlos Pereira

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Vida em abundância e nada de morte!

O leitor-ouvinte, sendo batizado no mistério Pascal de Jesus, assume o papel duplo de ser ovelha (de Deus) e de ser pastor das ovelhas, ao mesmo tempo.
Ser pastor-ovelha vivendo a aliança de Deus e cuidando as ovelhas sofridas (povo de Deus) faz o seguidor abraçar Jesus Cristo, que, por sua vez, foi Pastor-Ovelha, cuidando o seu rebanho (a Igreja) e salvando as ovelhas (humanidade) pelo marco de perdão, de reconciliação, de paz!

Pe. Cyril Suresh, SJ

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Quem matou dona Iolanda? Verdades e versões.

A mulher era a pessimidade em forma de gente, do tipo que não falava com pobre, não dava a mão a preto e não carregava embrulho, tal como na música “a banca do distinto”, escrita por Dolores Duran e lindamente interpretada pela Elis Regina. Dona Iolanda chegou ao mundo impregnada da maldade da casa grande e saiu dele como qualquer vivente: na horizontal e sua soberba se decompôs junto com o corpo.

Diário de um desespero – ou quase - XLIV

João Carlos Pereira

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A imensa saudade do Dr. Aurélio do Carmo – parte II

Aurélio do Carmo (1922-2020)

Doutor Aurélio morreu sereno, dormindo, em paz com a vida e com sua consciência. Apeado do poder pelo golpe de 64, ficou longe da vida pública por força de uma cassação infundada. Uma vez lhe perguntei se havia sido cassado por corrupção ou por ideologia e ele respondeu, achando graça: “olha, João, nem eu sei. Eles nunca especificaram a razão do meu afastamento”.

Diário de um desespero – ou quase - XLIII

João Carlos Pereira

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