O menino feito de incompletudes começa a se despedir

Esta a primeira das últimas dez crônicas da série “Diário de um desespero – ou quase”, prevista, agora, para acabar no número 100. Não haverá 101ª, ou CI. A série do desespero não tem mais sentido, porque não sinto mais vontade de bater a cabeça na parede. Me habituei ao distanciamento e acho que não me acostumarei à rua com a mesma facilidade de antes.

Diário de um desespero – ou quase - XC

— João Carlos Pereira

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Aprender com o aluno para, um dia, chegar à condição de professor

Sou e sempre serei extremamente agradecido aos meus alunos remotos e eterno devedor das lições que me propuseram. Um semestre inteiro dedicado à humanização do ensino, à generosidade e ao afeto. O corona vírus me revelou que o magistério, como sinônimo de ministério, nesta hora, é algo para além de compartilhar conhecimentos. É adoçar a relação e colocar-se a serviço da vida, pela estrada da educação.

Diário de um desespero – ou quase - XCV

— João Carlos Pereira

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São João a seco. Mas o banho da felicidade pode ser tomado em qualquer mês

Minha vontade, hoje, era fazer como sempre fiz: esperava a hora da maré para acompanhar a chegada dos barquinhos ao Ver-o-Peso, lotados de mato, cascas, raízes, batatas e essências entregues aos erveiros. A tradição é que se compre o banho na véspera de São João para tomá-lo no dia do santo, repetindo o mantra: “chêro-cherôso pra tirar o catingoso”, “chêro-cherôso pra tirar o catingoso”....

Diário de um desespero – ou quase - XCIV

— João Carlos Pereira

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Perto de Marte e longe de São Petersburgo. Não vale a pena.

Juro por Deus que até já me habituei a fica em casa e que a fase do desespero passou. Vivo, com tranqüilidade, dentro de mim e comigo. Não reclamo de nada, a não ser de tudo que me chateie. Aos 61 anos, sou considerado incapaz pelas filhas, que agem em nome do amor extremado e do cuidado. Ainda não cheguei à senilidade e já passei há muito da loucura dos anos dourados.

Diário de um desespero – ou quase - LXX

— João Carlos Pereira

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Édson Franco e a trágica consciência do finito

Para ser absolutamente verdadeiro, nem imagino o que se passa depois de fechar os olhos para sempre. Pior é pensar que nada se passa e que a gente vira pó, juntamente com o cadáver. Melhor sorte terão os que se transformarem em passarinhos transparentes ou encantarem-se à luz das estrelas. Esse destino é tão incerto que procuro nem me ocupar dele. O que tiver de ser, será. Só espero que não seja agora. Nem nos próximos anos.

Diário de um desespero – ou quase - XCIII

— João Carlos Pereira

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A reinvenção diária da filosofia e novas perguntas para a fé

Me fizeram acreditar num monte de bobagens alimentadas pelo medo e pelo servilismo de sacristia. Me ensinaram a pior versão do catolicismo, o que, pelo visto, é a que se espalha por aí. Grandes levas de católicos, verdadeiras diásporas, migram das igrejas para os templos (neo) pentecostais, atraídas por promessas que não podem ser cumpridas. Parece que o ser humano gosta de viver iludido. A “filosofia” da prosperidade enche os olhos e esvazia os bolsos dos dizimistas fanatizados. Há alguma coisa de muito errada nesse movimento. Ou nossa Igreja não acolhe como deveria as ovelhas que o senhor lhes confiou, ou a ignorância preside a passagem.

Diário de um desespero – ou quase - XCII

— João Carlos Pereira

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Em nome de nossa ignorância e de nosso atraso, perdoai

Até ontem, eu não sabia que ficar apoiado sobre um dos joelhos havia se transformado em sinal de resistência e de protesto contra o racismo. Esta crônica, a partir de agora, está ajoelhada desse modo e assim ficarão, ela e as próximas, mesmo que não tratem do tema. O gesto evoca a posição em que o policial matou George Floyd por asfixia. Ao agir assim, as pessoas repelem os sentimentos que levaram um branco a matar um negro. Esta crônica está de joelhos e deste modo prosseguirá, como forma de se manifestar indignada e de rezar.

Diário de um desespero – ou quase - LXXV

— João Carlos Pereira

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A Lei Régia da Escritura

Resgatar o cuidado com os pobres em nossa sociedade é missão primeira da igreja. A Carta de São Tiago, no capítulo 2, vai lembrar que toda a Escritura é voltada para atender os mais necessitados porque Deus escolheu os pobres.

— Simone Furquim Guimarães (Cebi-DF)

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