Categoria: Crônicas de João Carlos Pereira

Crônicas do jornalista e escritor João Carlos Pereira (1959-2020), de Belém do Pará.

O que eu sei, o que elas sabem e o que jamais aprenderei

Preso em casa, ocupando cela especial na solitária a que o corona vírus nos impôs, lembro, cada vez mais, da minha infância e comparo com a delas. Fui menino-cachorro-vira-lata, criado na rua. Elas, meninas-passarinho, viram a vida, quase sempre, da janela de um apartamento. Sei que não existe medidor de felicidade, mas penso que, olhando duas realidades, saí ganhando.

Diário de um desespero – ou quase - LXIX

— João Carlos Pereira

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O menino feito de incompletudes começa a se despedir

Esta a primeira das últimas dez crônicas da série “Diário de um desespero – ou quase”, prevista, agora, para acabar no número 100. Não haverá 101ª, ou CI. A série do desespero não tem mais sentido, porque não sinto mais vontade de bater a cabeça na parede. Me habituei ao distanciamento e acho que não me acostumarei à rua com a mesma facilidade de antes.

Diário de um desespero – ou quase - XC

— João Carlos Pereira

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Aprender com o aluno para, um dia, chegar à condição de professor

Sou e sempre serei extremamente agradecido aos meus alunos remotos e eterno devedor das lições que me propuseram. Um semestre inteiro dedicado à humanização do ensino, à generosidade e ao afeto. O corona vírus me revelou que o magistério, como sinônimo de ministério, nesta hora, é algo para além de compartilhar conhecimentos. É adoçar a relação e colocar-se a serviço da vida, pela estrada da educação.

Diário de um desespero – ou quase - XCV

— João Carlos Pereira

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São João a seco. Mas o banho da felicidade pode ser tomado em qualquer mês

Minha vontade, hoje, era fazer como sempre fiz: esperava a hora da maré para acompanhar a chegada dos barquinhos ao Ver-o-Peso, lotados de mato, cascas, raízes, batatas e essências entregues aos erveiros. A tradição é que se compre o banho na véspera de São João para tomá-lo no dia do santo, repetindo o mantra: “chêro-cherôso pra tirar o catingoso”, “chêro-cherôso pra tirar o catingoso”....

Diário de um desespero – ou quase - XCIV

— João Carlos Pereira

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Perto de Marte e longe de São Petersburgo. Não vale a pena.

Juro por Deus que até já me habituei a fica em casa e que a fase do desespero passou. Vivo, com tranqüilidade, dentro de mim e comigo. Não reclamo de nada, a não ser de tudo que me chateie. Aos 61 anos, sou considerado incapaz pelas filhas, que agem em nome do amor extremado e do cuidado. Ainda não cheguei à senilidade e já passei há muito da loucura dos anos dourados.

Diário de um desespero – ou quase - LXX

— João Carlos Pereira

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