Tag: Belém do Pará

A santa nas mãos de um Papa que viraria santo

A breve aparição da santa teve uma repercussão inimaginável. A cidade inteira se sentia abençoada por João de Deus, quando acolheu em suas mãos o maior de todos os ícones da mais importante procissão católica do mundo. Foi a melhor homenagem que o Papa polonês poderia ter prestado aos paraenses. Se tivesse descido do avião e, da porta da aeronave, houvesse abençoado a cidade com a santinha, a comoção da visita não caberia no coração dos fieis.

— João Carlos Pereira

Leia mais A santa nas mãos de um Papa que viraria santo

No coração de todos, o Círio da esperança

Há muitas formas de fazer o Círio. A pandemia coloca a criatividade e a fé diante de um desafio. A menos que um milagre rasgue os céus do planeta e, do dia para a noite, aglomerações sejam toleradas e, mais do que isso, aceitas, o Círio no formato atualizado há 228 anos poderá manter a escrita. Se não mantiver, será Círio do mesmo jeito. Haverá cartaz, peregrinações em casas, guardadas as recomendações sanitárias. Será servido o tradicional almoço, mas de uma forma diferente. Ou igual, não sei. Ninguém sabe.

Diário de um desespero – ou quase - LXV

— João Carlos Pereira

Leia mais No coração de todos, o Círio da esperança

A menina seca atrás da porta, em Santo Alexandre

Falavam em casa, e eu, que sempre adorei ficar escutando conversa de adulto, justamente porque era proibido e toda informação era mal elaborada, ouvi, sem querer, a história da menina que secou, no exato momento em que tentou agredir a mãe, com uma vassoura, tamanha sexta-feira da Paixão. Como um castigo divino, um raio paralisante caiu-lhe sobre a cabeça e ela murchou. Mumificou-se todinha.

Diário de um desespero – ou quase - XLVI

— João Carlos Pereira

Leia mais A menina seca atrás da porta, em Santo Alexandre

Quem matou dona Iolanda? Verdades e versões.

A mulher era a pessimidade em forma de gente, do tipo que não falava com pobre, não dava a mão a preto e não carregava embrulho, tal como na música “a banca do distinto”, escrita por Dolores Duran e lindamente interpretada pela Elis Regina. Dona Iolanda chegou ao mundo impregnada da maldade da casa grande e saiu dele como qualquer vivente: na horizontal e sua soberba se decompôs junto com o corpo.

Diário de um desespero – ou quase - XLIV

João Carlos Pereira

Leia mais Quem matou dona Iolanda? Verdades e versões.

A imensa saudade do Dr. Aurélio do Carmo – parte II

Aurélio do Carmo (1922-2020)

Doutor Aurélio morreu sereno, dormindo, em paz com a vida e com sua consciência. Apeado do poder pelo golpe de 64, ficou longe da vida pública por força de uma cassação infundada. Uma vez lhe perguntei se havia sido cassado por corrupção ou por ideologia e ele respondeu, achando graça: “olha, João, nem eu sei. Eles nunca especificaram a razão do meu afastamento”.

Diário de um desespero – ou quase - XLIII

João Carlos Pereira

Leia mais A imensa saudade do Dr. Aurélio do Carmo – parte II

A difícil decisão de colocar ou não o Círio na rua

Por conta de uma angústia que começa a crescer no coração da cidade, esta semana muitas pessoas me indagaram se haveria Círio ou estaria cancelado. Também fui questionado se, desde 1793, quando a romaria saiu pela premira vez, aconteceu alguma interrupção. Essa pergunta, por incrível que pareça, é mais fácil que a primeira. Nem febre espanhola, nem surto de varíola, nem cabanagem, nem revolução de 30, nem primeira ou segunda guerras, nem quando a Irmandade brigou com a Igreja e o cortejo saiu sem padres...

Diário de um desespero – ou quase - XXXVI

João Carlos Pereira

Leia mais A difícil decisão de colocar ou não o Círio na rua

Uma família que contava versos

Com o dinheiro pouco e regrado, a mãe se consumia com o pagamento do aluguel, porque era uma desonra atrasar um dia sequer. Com jeito jocoso, mas em forma de verdadeira oração, um dos meninos, que depois seria médico famoso na cidade, dizia: “São José, nos dê um chalé”. O outro, que alcançou o desembargo, completava: “São João, nos dê um porão”. Eram líricas alusões ao teto próprio com que sonhavam, para que se livrassem do senhorio.

Diário de um desespero – ou quase - IV

João Carlos Pereira

Leia mais Uma família que contava versos