Categoria: Crônicas de João Carlos Pereira

Crônicas do jornalista e escritor João Carlos Pereira (1959-2020), de Belém do Pará.

O cometa verde do tempo-foi

Descoberto pelo cientista australiano Michael Mattiazzo, o cometa não foi batizado com o seu nome – uma injustiça que precisa ser reparada. O que para nós vai ser cometa Mattiazzo, para a ciência é apenas Swan, porque foi observado com o Solar Wind Anisotropies (Swan), um instrumento integrante do satélite de observação Soho, operado pela Nasa e pela Agência Espacial Europeia. O nosso Mattiazzo-Swan já passou pela Terra, deixou lembranças e mandou avisar que sua imagem possui um “delayed”, quero dizer, um certo atraso, bem expressivo. É como a luz das estrelas. O que chega aqui não é tempo real. É tempo-foi, como diria a Lindanor Celina.

Diário de um desespero – ou quase - LXVI

— João Carlos Pereira

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No coração de todos, o Círio da esperança

Há muitas formas de fazer o Círio. A pandemia coloca a criatividade e a fé diante de um desafio. A menos que um milagre rasgue os céus do planeta e, do dia para a noite, aglomerações sejam toleradas e, mais do que isso, aceitas, o Círio no formato atualizado há 228 anos poderá manter a escrita. Se não mantiver, será Círio do mesmo jeito. Haverá cartaz, peregrinações em casas, guardadas as recomendações sanitárias. Será servido o tradicional almoço, mas de uma forma diferente. Ou igual, não sei. Ninguém sabe.

Diário de um desespero – ou quase - LXV

— João Carlos Pereira

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Memórias de um menino que quase não saiu da escola

Saí da escola e, na universidade, fiz um curso que não era exatamente a minha praia. Tenho duas especializações em língua portuguesa e passei duas vezes no mestrado. Fui professor e sou jornalista. Mas, como já disse nesta interminável quarentena, em pelo menos três crônicas, o que eu queria mesmos era ser padre.

Diário de um desespero – ou quase - LXIV

— João Carlos Pereira

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Lições de agora para a vida toda. Ou nada terá valido a pena.

O tempo correu e meus brincados passaram a ser outros. A vontade de ter um autorama morou comigo, num quartinho escondido no sótão da minha alma, por muitos e muitos anos. Um dia, quando precisei abrir todos os cômodos da minha alma, inclusive os compartimentos secretos, aqueles que se comunicavam com o mundo através de passagens desconhecidas, dei por falta do autorama. Procurei por todo canto e não havia sinal dele.

Diário de um desespero – ou quase - LXII

— João Carlos Pereira

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A rasga-mortalha e o pássaro Roca: entre o medo e a fantasia

Ontem minha rede começou a piar. Faltava azeitar a atracação. Instalado o modo silêncio no ambiente, voltei para o meu sossego e fiquei imaginando que tipo de ave poderia fazer barulho semelhante ao de rede. Como minha cabeça é território fértil, o pensamento voltou logo para a infância, tempo em que eu ouvia histórias sobre o Pássaro Roca e a Rasga-Mortalha.

Diário de um desespero – ou quase - LXI

— João Carlos Pereira

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O destino e o amanhã de todos apenas nas mãos de Deus

Não sei como está sendo este tempo para os adivinhos, sobretudo para os que não conseguiram colocar em suas previsões para 2020 o quadro em que estamos vivendo. Uma tela tão gigantesca, tão monumental, não poderia passar despercebida de todos os métodos de comunicação com o além, para vislumbrar o ano novo. Quem falou em morte de famosos, já ganhou muitos pontos.

Diário de um desespero – ou quase - LX

— João Carlos Pereira

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O céu de Belém e o sonho real

Sinto saudade das estrelas, porque elas passaram a fazer parte da minha felicidade. Minha filha mais nova, quando era pequena, sentava no meu colo e me ensinava coisas maravilhosas sobre o céu. Uma noite, ela me disse: “você sabia que existe uma estrela bem grande, com uma bolsa na barriga, e, antes de amanhecer, vai recolhendo todas as outras para soltar na outra noite?”. Duvido que essa teoria seja contestada por qualquer astrônomo, porque, quem ama o céu, só pode ter um pezinho na poesia.

Diário de um desespero – ou quase - LIX

— João Carlos Pereira

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Os fósforos coloridos, o telefone e a escadaria do sonho

Muitas outras coisas evaporaram de nossos olhos, como enceradeira, vasculho de forro, espanador, saco de café, ventilador de carro, navalha, isso só para ficar na lista dos utensílios mais lembrados. Mentex e os drops coloridos, da marca Ducora, tinham delicioso gosto de cinema e de infância, porém ninguém mais os vê – pior: não prova. Agora, cinema tem sabor de exploração. Os “combos” custam o olho da cara e as pessoas compram, como se aquilo não fosse um roubo.

Diário de um desespero – ou quase - LVIII

— João Carlos Pereira

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O solitário adeus a uma paraense, que vivia da (e para) literatura

Olga era detalhista, não deixava passar nada. Por isso foi considerada uma tradutora de primeira linha. A coluna “A Mona Lisa de Copacabana”, cujos parágrafos, no estilo da coluna, eram numerados, deve ser entendida no contexto de sua época, sete anos atrás, mas tão atual, como se houvesse sido escrita hoje.

Diário de um desespero – ou quase - LVII

— João Carlos Pereira

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