Fazer a vontade do Pai

Simone Furquim Guimarães

Lucas 2,41-52

A leitura de hoje encerra o relato da infância de Jesus. Seguindo a tradição religiosa, os pais levam-no a Jerusalém, aos doze anos de idade; fase em que a criança é iniciada na “catequese” religiosa. E Jesus impressiona os mestres do Templo, os ouvintes e até seus pais por sua sabedoria. Jesus, então, inicia sua vida pública aos doze anos, segundo Lucas.

Jesus reconhece a necessidade de ocupar-se com as coisas do Pai (v.49). Essa é a chave de leitura do texto: fazer a vontade do Pai. Maria não compreendia, mas guardava tudo em seu coração (v.51). Essa expressão é repetida por três vezes (Lc 1,69 e Lc 2,19) porque “quando o mistério é muito impressionante, a gente não ousa desobedecer” (frase de Antoine de Saint-Exupéry, no livro: O pequeno príncipe).  Maria aceita, mesmo sem entender pela razão, pois prefere seguir seu coração; sabe que do coração pode entender melhor a vontade de Deus. E ela aumenta sua fé percorrendo junto com Jesus, o seu caminho, seguindo-o, servindo-o e subindo com ele à Jerusalém, na sua paixão e morte. Lucas antecipa aqui a dor dos pais pela perda do filho. Foram três dias de busca e de desespero (v.46).  È uma prefiguração à Páscoa de Jesus. A dor, o luto durou três dias de sua morte. É espera ansiosa, que somente quem perde um filho pode dimensionar. Mas após três dias, ele ressuscita. A comunidade cristã em Lucas reconhece em Jesus a filiação divina, a vontade do Pai em manifestar suas obras no Filho. Lucas vai dizer: Jesus cresce em sabedoria, estatura e em graça diante de Deus e diante dos homens (v.52).

Diante de Deus e diante da humanidade, Jesus cresce e permanece nos impressionando com sua sabedoria todas as vezes que nos alimentamos do Evangelho, com o coração aberto, em busca de encontrar sentido para a vida.

Neste tempo de tanta dor pela perda de nossos entes queridos por causa da COVID 19, buscamos também o sentido que possa acalentar e nos dar esperança. Então, invés de chorar o vazio das perdas, passamos a sorrir porque o mistério nos é revelado.

Graças te dou, ó Pai, Senhor do céu e da terra, pois revelaste os mistérios do teu reino aos pequeninos!

Mt 11,25

Ouça no Podcast Ignatiana


Simone Furquim Guimarães é mestre em Teologia na linha bíblica. Tem experiência na área de Leitura Popular da Bíblia no Centro de Estudos Bíblicos (CEBI/Planalto Central).


Esta reflexão bíblica foi originalmente apresentada no Programa de Justiça e Paz, produzido pela Comissão de Justiça e Paz da Arquidiocese de Brasília, que vai ao ar todo sábado, às 11:00, na Rádio Nova Aliança.

Desde outubro de 2020, também disponível no podcast Ignatina.

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IGNATIANA é um blog de produção coletiva, iniciado em 2018. Chama-se IGNATIANA (inaciana) porque buscamos na espiritualidade de Inácio de Loyola uma inspiração e um modo cristão de se fazer presente nesse mundo vasto e complicado.

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