Acolhimento e inclusão

Simone Furquim Guimarães

A leitura do Evangelho proposta pela igreja hoje é Lc 5,27-32.

Jesus encontra Levi (Mateus) no trabalho de coletar impostos e o chama para seu Seguimento, para ser discípulo dele. Mateus aceita e o segue. Em seguida, Lucas narra Jesus fazendo uma refeição na casa de Mateus. Os Fariseus e Mestres da Lei murmuram, reclamam daquele gesto de Jesus, pois os cobradores de impostos são impuros para a Lei. Jesus respondeu: “Os que são sadios não precisam de médico, mas sim os que estão doentes. Eu não vim chamar os justos, mas sim os pecadores para a conversão”.

A Boa Notícia hoje anuncia que Jesus é o terapeuta, o médico da Palavra, o médico pela Palavra de Deus. E essa terapia inicia-se a partir do acolhimento e da inclusão: “Os sãos não têm necessidade de médico e sim os doentes”. “Não vim chamar os justos, mas sim os pecadores, ao arrependimento”. Por isso, Jesus chama Levi para seu Seguimento. Por isso, Jesus come e bebe na casa de Levi com várias outras pessoas consideradas “pecadoras”. Jesus ensina que a atitude de aproximação e inclusão é que transforma a pessoa. Ela se arrepende. Arrependimento é mudar o interior da pessoa: a maneira como pensa, como vê, como sente. No Evangelho de Lucas há ênfase na temática da misericórdia e do arrependimento: Lc 15,11-32, narra a parábola do filho pródigo: o filho gastou toda a herança e acabou indo morar com porcos. O filho se arrepende (ele muda a maneira de pensar, ver e sentir) e volta para casa (ele age para mudar a situação).

Com esse gesto, Jesus mostra que os líderes religiosos estão errados na forma como conduziam o povo. Levi sofria exclusão, assim como tantos outros considerados impuros e pecadores. Para firmar sua missão de acolher e incluir todos, cumprindo o mandamento de Deus, assim como fez na cura do paralítico (v.17-26), Jesus chama Levi para seu Seguimento e faz uma refeição com ele em sua casa. Fazer a refeição em uma casa, comer juntos, é praticar a “comensalidade”, segundo a cultura daquele tempo. Isto é firmar um pacto de amizade, de paz, estreitar as relações.

Em sintonia com a CF, cujo tema é “Viu, Sentiu compaixão, Cuidou dele”, o Evangelho nos mostra que Jesus viu a dor de Levi por ser excluído do plano de salvação de Deus, sentiu compaixão e aproximou-se dele, cuidou dos excluídos e excluídas que estavam na casa de Levi, a partir do acolhimento de todos eles.

Que neste período quaresmal, tempo de reflexão e de arrependimento para conversão, possamos abrir nosso coração e deixar Deus fazer sua morada; assim como Levi, que seguiu o chamado de Jesus e o convidou a entrar em sua casa. Que à luz do Evangelho, sejamos nós “terapeutas” da Palavra que acolhe, que inclui e que liberta as pessoas, humanizando-nos e humanizando-as. 

ilustração de Luis Henrique

Simone Furquim Guimarães é mestre em Teologia na linha bíblica. Tem experiência na área de Leitura Popular da Bíblia no Centro de Estudos Bíblicos (CEBI/Planalto Central).


Esta reflexão bíblica foi originalmente apresentada no Programa de Justiça e Paz, produzido pela Comissão de Justiça e Paz da Arquidiocese de Brasília, que vai ao ar todo sábado, às 11:00, na Rádio Nova Aliança.

Desde outubro de 2020, também disponível no podcast Ignatina.

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