Responsabilidade cidadã — Lc 10,17-24

Simone Furquim Guimarães

A leitura do Evangelho de hoje é Lc 10,17-24. O texto dá continuidade ao relato em que Jesus envia setenta e dois discípulos em missão (cf. Lc 10,1-16). Na linguagem simbólica da Bíblia, o número setenta e dois representa a universalidade dos povos, indicando que a Boa Nova não se destina apenas a Israel, mas alcança também aqueles que eram considerados estrangeiros ou pagãos. No contexto do Evangelho, Jesus está em contato com os samaritanos, que acolhem sua mensagem e passam a fazer parte de seu movimento.

Ao retornarem da missão, os discípulos relatam com alegria os frutos de seu trabalho. Eles experimentaram a força transformadora do anúncio do Reino de Deus e testemunharam mudanças na vida das pessoas que encontraram pelo caminho. Jesus, porém, os convida a uma alegria ainda maior: não a alegria pelo poder ou pelos resultados alcançados, mas porque seus nomes estão inscritos no céu. Em outras palavras, a verdadeira felicidade está em participar do projeto de Deus e colocar a própria vida a serviço do bem.

Jesus então agradece ao Pai porque a sabedoria divina foi revelada aos pequenos. Aqueles que eram vistos como simples e sem importância tornam-se capazes de compreender e acolher a mensagem do Reino. Já os que se consideravam donos do saber e da autoridade religiosa são convidados a reconhecer que Deus também fala por meio dos humildes e marginalizados.

O Evangelho nos recorda que a missão cristã não consiste em buscar prestígio, privilégios ou poder. O verdadeiro discípulo e a verdadeira discípula são chamados a servir, promover a vida, praticar a justiça e construir relações de fraternidade.

Neste contexto, a Palavra de Deus também nos ajuda a refletir sobre nossa responsabilidade como cidadãos e cidadãs. Amanhã vamos às urnas exercer nosso direito democrático de votar em representantes que apresentam projetos que estejam em consonância com a vontade de Deus, pois esses que vão nos representar no governo devem ser também missionários na construção do Reino de Deus desde agora.

Neste sentido, devemos escolher pessoas comprometidas com a ética na política; pois a ética política assegura a democracia e a participação popular, para que todos e todas tenham acesso aos bens e direitos sociais, que ainda é privilégios para poucas pessoas.

Lembremos que o número setenta e dois expressa o sentido de que a missão não pertence a um grupo privilegiado, mas é uma tarefa compartilhada. Todos e todas são chamados a colaborar na construção de uma sociedade onde haja mais justiça, solidariedade e cuidado com os que mais necessitam.

Que o Evangelho de hoje nos inspire a viver nossa fé com humildade, compromisso e esperança, contribuindo, cada um segundo sua vocação, para que os sinais do Reino de Deus estejam presentes em nosso mundo.

Amanhã, vote consciente,
vote pela democracia!


Ouça no Podcast Ignatiana [link]

Simone Furquim Guimarães é mestre em Teologia na linha bíblica. Tem experiência na área de Leitura Popular da Bíblia no Centro de Estudos Bíblicos (CEBI/Planalto Central).


Esta reflexão bíblica foi originalmente apresentada no Programa de Justiça e Paz, produzido pela Comissão de Justiça e Paz da Arquidiocese de Brasília, que vai ao ar todo sábado, às 11:00, na Rádio Nova Aliança.

Desde outubro de 2020, também disponível no podcast Ignatiana.

Ano A — Sábado. 26ª semana do Tempo Comum

Palavra de Deus Simone Furquim Guimarães

Ignatiana Visualizar tudo →

IGNATIANA é um blog de produção coletiva, iniciado em 2018. Chama-se IGNATIANA (inaciana) porque buscamos na espiritualidade de Inácio de Loyola uma inspiração e um modo cristão de se fazer presente nesse mundo vasto e complicado.

Deixe um comentário