Odres novos
Simone Furquim Guimarães
O Evangelho de hoje é Mateus 9,14-17. O texto nos apresenta uma situação curiosa: algumas pessoas perguntam a Jesus por que seus discípulos não jejuam como faziam os discípulos de João Batista e os fariseus. A pergunta revela uma preocupação muito presente naquele tempo: o cumprimento das práticas religiosas e das normas da Lei.
O Evangelho de Mateus foi escrito para comunidades formadas por judeus e gentios, que muitas vezes enfrentavam conflitos justamente por causa dessas tradições religiosas. Por isso, ao narrar esse episódio, o evangelista ajuda a comunidade a compreender o verdadeiro sentido da mensagem de Jesus.
A resposta de Jesus surpreende. Ele compara sua presença à de um noivo em meio à festa de casamento. E pergunta: como os convidados podem ficar tristes enquanto o noivo está com eles?
A imagem é muito bonita. A chegada de Jesus inaugura um tempo novo. É tempo de alegria, de encontro, de comunhão e de celebração da vida. Por isso, Jesus estava à mesa com Mateus, o cobrador de impostas, e tantas outras pessoas que eram excluídas pela religião de seu tempo. A presença de Deus não se manifesta na exclusão, mas na acolhida; não na condenação, mas na misericórdia.
Em seguida, Jesus utiliza duas pequenas parábolas. Ele diz que ninguém coloca um remendo de pano novo em roupa velha, nem vinho novo em odres velhos. Com essas imagens, ensina que a novidade do Reino de Deus não cabe em mentalidades fechadas e rígidas.
O vinho novo representa a Boa Nova do Evangelho. É a proposta de um Deus que acolhe, perdoa, liberta e devolve dignidade às pessoas. Para acolher essa novidade, é preciso ter o coração aberto à transformação. Quem se apega apenas aos formalismos religiosos corre o risco de não perceber a presença viva de Deus agindo na história.
Essa Palavra também fala para nós hoje. Muitas vezes nos acostumamos com determinadas práticas, ideias e julgamentos, e acabamos fechando as portas para a novidade que Deus deseja realizar em nossa vida e em nossas comunidades.
Jesus nos convida a sermos odres novos, capazes de acolher o vinho novo do Evangelho. Convida-nos a construir comunidades onde haja espaço para a escuta, para a acolhida, para a misericórdia e para a celebração da vida.
Que o Senhor nos conceda um coração aberto, simples e disponível para reconhecer sua presença entre nós. E que nunca nos falte a alegria de viver e anunciar a Boa Nova do Reino. Amém.
Ouça no Podcast Ignatiana [link]
Simone Furquim Guimarães é mestre em Teologia na linha bíblica. Tem experiência na área de Leitura Popular da Bíblia no Centro de Estudos Bíblicos (CEBI/Planalto Central).
Esta reflexão bíblica foi originalmente apresentada no Programa de Justiça e Paz, produzido pela Comissão de Justiça e Paz da Arquidiocese de Brasília, que vai ao ar todo sábado, às 11:00, na Rádio Nova Aliança.
Desde outubro de 2020, também disponível no podcast Ignatiana.
Ano A — Sábado. 13ª semana do Tempo Comum
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IGNATIANA é um blog de produção coletiva, iniciado em 2018. Chama-se IGNATIANA (inaciana) porque buscamos na espiritualidade de Inácio de Loyola uma inspiração e um modo cristão de se fazer presente nesse mundo vasto e complicado.
