Ninguém pode servir a dois senhores — Mt 6,24-34
Simone Furquim Guimarães
No Evangelho de hoje (Mt 6,24-34), Jesus inicia seu ensinamento dizendo: “Ninguém pode servir a dois senhores: pois, ou odiará um e amará o outro, ou será fiel a um e desprezará o outro. Vós não podeis servir a Deus e ao dinheiro”.
Depois ele exorta a admirar a criação de Deus: “Olhai as aves do céu…observai os lírios do campo”. E conclama a seus discípulos: “Tenha fé…antes de tudo, busque o Reino de Deus e a justiça de Deus que tudo que precisa acontecerá e vos será acrescentado” (v.30.33). Neste capítulo 6, que faz parte dos discursos de Jesus sobre as Leis de justiça – que ele proclama no alto da montanha – Jesus vai conclamar a ter fé no projeto de Deus.
E qual é o projeto de Deus para nós? A resposta pode ser: “Buscai primeiro o Reino de Deus e a sua justiça que tudo que precisa acontecerá e vos será acrescentado” (v.33). Esta é a chave de leitura para a comunidade de Mateus que estava preocupada com o que comer, beber, vestir. Certamente, na comunidade de Mateus, havia pessoas com necessidades financeiras e havia também aquelas pessoas que possuíam bens.
Por isso, o texto repete por seis vezes a palavra “preocupar-se” e pode iluminar nossa realidade hoje; ou seja: quando nos preocupamos excessivamente com o que comer, beber, vestir, consumir; tudo isso vira consumismo e individualismo; passamos a servir à Mâmon (termo que significa dinheiro, deus da riqueza, deus dinheiro). Em Mateus, Jesus adverte desde o início: “Não podeis servir a Deus e ao Dinheiro” (Mâmon). É por servir ao deus Dinheiro que hoje a riqueza está acumulada nas mãos de poucos; e, em detrimento disso, dois terços da população vive na pobreza e na miséria.
O Evangelho nos ensina: “Buscai primeiro o Reino de Deus e a sua justiça, e todas essas coisas vos serão dadas por acréscimo” (v.33). O que significa isso? Quando buscamos a justiça, todas as pessoas terão vida plena, com dignidade; terão o que comer, vestir, morada para dormir.
A leitura de hoje está em consonância com o ensinamento do Papa Leão, que escreveu sobre o Jubileu da Esperança, vivido pela Igreja desde o ano de 2024, encerrando-se em janeiro desde ano de 2026. Ele disse: “Ajudar os pobres é uma questão de justiça, e não de caridade”. A esperança do papa é de que este Jubileu “possa encorajar o desenvolvimento de políticas que combatam antigas e novas formas de pobreza, possa promover novas iniciativas para apoiar e assistir os mais pobres entre os pobres”.
Oremos em esperança com o nosso Papa Leão para que a justiça de Deus aconteça; para que a fé dos cristãos promova a ética na política e a justiça social de distribuição de renda, de democratização da riqueza; para que todos tenham acesso aos bens necessários para uma vida digna. Amém!
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Simone Furquim Guimarães é mestre em Teologia na linha bíblica. Tem experiência na área de Leitura Popular da Bíblia no Centro de Estudos Bíblicos (CEBI/Planalto Central).
Esta reflexão bíblica foi originalmente apresentada no Programa de Justiça e Paz, produzido pela Comissão de Justiça e Paz da Arquidiocese de Brasília, que vai ao ar todo sábado, às 11:00, na Rádio Nova Aliança.
Desde outubro de 2020, também disponível no podcast Ignatiana.
Ano A — Sábado. 11ª semana do Tempo Comum
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IGNATIANA é um blog de produção coletiva, iniciado em 2018. Chama-se IGNATIANA (inaciana) porque buscamos na espiritualidade de Inácio de Loyola uma inspiração e um modo cristão de se fazer presente nesse mundo vasto e complicado.
