Discípulas amadas, discípulos amados — Jo 21,20-25
Simone Furquim Guimarães
A leitura de hoje é Jo 21,20-25. O evangelista João conclui seu Evangelho com um convite ao discipulado: seguir Jesus, testemunhar sua presença no mundo e permanecer fiel ao seu projeto de vida.
No texto de hoje, Pedro, olhando para o “Discípulo amado”, pergunta a Jesus: “Senhor, e este, o que será?” Mas Jesus responde: “Tu, segue-me!” (Jo 21,22). A resposta de Jesus é importante porque desloca o olhar da curiosidade sobre o outro para a responsabilidade pessoal do seguimento. Cada discípulo possui sua missão, seu caminho e sua forma de testemunhar o Evangelho.
No Evangelho de João, o “Discípulo amado” não recebe um nome. Isso não é um detalhe sem importância. Pelo contrário, é um recurso simbólico muito profundo. O discípulo amado representa todos aqueles que acolhem a Palavra de Jesus e permanecem unidos a ele. Representa a comunidade fiel, que atravessa gerações sustentada pelo amor, pela fé e pelo testemunho.
Por isso, também nós somos chamados a ser discípulos amados. Não apenas admiradores de Jesus, mas pessoas comprometidas com seu projeto de vida. E o projeto de Jesus sempre esteve voltado para a vida plena, para a dignidade humana, para a acolhida dos marginalizados, para a defesa dos vulneráveis e para a construção da justiça.
Nesta semana em que tantas igrejas cristãs rezam pela unidade, o Evangelho ganha ainda mais força. Permanecer fiel a Cristo significa aprender a construir pontes e não muros; aproximar em vez de dividir; cultivar a fraternidade em vez da intolerância. A unidade cristã não apaga as diferenças, mas nasce do reconhecimento de que todos somos chamados ao amor e ao serviço.
O mundo de hoje necessita de discípulos que testemunhem esperança, diálogo e compaixão. Seguir Jesus exige coragem para enfrentar os conflitos da realidade, denunciar aquilo que destrói a vida e anunciar gestos concretos de solidariedade e paz.
Ao final do Evangelho, João recorda que muitas outras coisas Jesus realizou e ensinou. Isso significa que a história de Jesus continua aberta na vida daqueles que permanecem fiéis ao Evangelho. A missão continua em nós.
Que nossas comunidades sejam reconhecidas não pelo poder, pela divisão ou pela indiferença, mas pelo amor vivido no cotidiano. Como o próprio Jesus disse: “Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos: se vos amardes uns aos outros” (Jo 13,35).
Que sejamos, hoje e sempre, discípulas amadas, discípulos amados, que seguem, testemunham e permanecem firmes no caminho de Cristo.
Ouça no Podcast Ignatiana [link]
Simone Furquim Guimarães é mestre em Teologia na linha bíblica. Tem experiência na área de Leitura Popular da Bíblia no Centro de Estudos Bíblicos (CEBI/Planalto Central).
Esta reflexão bíblica foi originalmente apresentada no Programa de Justiça e Paz, produzido pela Comissão de Justiça e Paz da Arquidiocese de Brasília, que vai ao ar todo sábado, às 11:00, na Rádio Nova Aliança.
Desde outubro de 2020, também disponível no podcast Ignatiana.
Ano A — Sábado. 7ª Semana da Páscoa
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IGNATIANA é um blog de produção coletiva, iniciado em 2018. Chama-se IGNATIANA (inaciana) porque buscamos na espiritualidade de Inácio de Loyola uma inspiração e um modo cristão de se fazer presente nesse mundo vasto e complicado.
