Como Jesus amou

Simone Furquim Guimarães

A leitura do Evangelho hoje é Jo 15,9-17. Ela nos ensina como Jesus encara sua missão como manifestação de amor: “Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a vida por seus amigos”(Jo 15,13). Jesus mostra que o Pai é a fonte desse amor que o impele a amar os irmãos. E quer que nós copiemos esse modelo e vivemos o amor fraterno: “amai-vos uns aos outros”.

A comunidade joanina, que é a comunidade do Discípulo Amado, compreendeu que o que mantém as comunidades unidas não é a doutrina, mas sim o amor; à exemplo do amor de Jesus pelos pobres da cidade de Betânia (Betânia, em hebraico, significa Casa dos pobres), dos irmãos Marta, Maria e Lázaro (Jo 11,5).

O amor é a reflexão teológica em João. Não podemos dimensionar o amor de Deus; ele não pode ser comparado ao sentimento humano. É por isso que Jesus insiste que devemos permanecer em seu amor. Permanecer no amor de Jesus é imitar seus exemplos: “se observais meus mandamentos permanecereis em meu amor”(Jo 15,10). E o mandamento de Jesus é: “amai-vos uns aos outros como eu vos amei”. Isto quer dizer que o caminho que conduz a Deus e ao Reino não é uma linha vertical. Ou seja, minha relação não deve ser somente entre eu e Deus. Jesus nos ensina que o caminho que conduz a Deus e ao Reino passa necessariamente pelo outro/a. O mandamento é: “amar uns aos outros, como eu vos amei”. Como Jesus amou e se aproximou dos mais excluídos, marginalizados pela religião e sociedade de seu tempo, assim também o cristão abre seu coração e construa relações autênticas.

Aqui também temos duas expressões de amor: o amor afetivo (do grego, filein) da amizade e fidelidade; e o amor efetivo (do grego, agapân), do compromisso, pacto, aliança. Jesus chama seus seguidores de amigos, pois são parceiros, para quem Ele comunica seu próprio projeto. Portanto, os amigos de Jesus não são somente os apóstolos e seus sucessores, os bispos e a hierarquia. É todo seguidor/a e servidor/a de Jesus, que produz o fruto da videira (Jo 15,1). A videira é Jesus, nós somos os ramos.

Se Ele nos amou a ponto de dar a sua vida por nós, devemos nós também dar a vida pelos irmãos, vivendo um amor fraterno que procure ter a qualidade e a intensidade do amor que levou Jesus a dar a sua vida.

Como fazê-lo?

A REPAM (Rede Eclesial Pan-Amazônica) abre a Campanha: “Eu voto pela Amazônia”. É um convite a assumirmos nosso amor fraterno aos povos ribeirinhos, indígenas, quilombolas, extrativistas, pescadores; enfim, a todo o bioma amazônico. Neste ano de eleições política, nosso compromisso cristão é votar em projetos que defendem a criação de Deus, que foi realizada com tanto amor por todos nós. Esta é uma campanha de conscientização à vida. É por amor à vida, assim como Jesus nos convocou a amar, que devemos e queremos seguir sua missão junto aos povos que habitam a floresta, defendendo a criação de Deus, realizada com tanto amor.

 


Ouça no Podcast Ignatiana


Simone Furquim Guimarães é mestre em Teologia na linha bíblica. Tem experiência na área de Leitura Popular da Bíblia no Centro de Estudos Bíblicos (CEBI/Planalto Central).


Esta reflexão bíblica foi originalmente apresentada no Programa de Justiça e Paz, produzido pela Comissão de Justiça e Paz da Arquidiocese de Brasília, que vai ao ar todo sábado, às 11:00, na Rádio Nova Aliança.

Desde outubro de 2020, também disponível no podcast Ignatina.

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IGNATIANA é um blog de produção coletiva, iniciado em 2018. Chama-se IGNATIANA (inaciana) porque buscamos na espiritualidade de Inácio de Loyola uma inspiração e um modo cristão de se fazer presente nesse mundo vasto e complicado.

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