Jesus pascal

Simone Furquim Guimarães

Estamos na segunda semana litúrgica da Páscoa. As leituras que vimos e ouvimos esta semana são para confirmar o poder do Ressuscitado. Ele é nos apresentado pelas primeiras comunidades cristãs, sobretudo, aqui, pela comunidade joanina. O Evangelho de João é muito utilizado na liturgia desse período, pois nos apresenta este Jesus pascal. Os primeiros cristãos entenderam realmente quem foi e quem é Jesus somente após a Páscoa. E João vai nos conduzir neste entendimento dentro do capítulo 6.

O início no capítulo 6 nos relata sobre o sinal da multiplicação dos pães. E a leitura de hoje é sequencia deste sinal, é Jo 6,16-21. Ele relata que após este sinal, os discípulos entram no barco e estão atravessando o mar da Galileia. Um vento forte e a tempestade lhes causam medo. O medo aumenta quando avista Jesus, mas não o reconhecem. Eles se acalmam e se alegram na manifestação de Jesus (teofania): “Eu sou, não tenham medo”.

O Evangelho de João está rico em simbolismo para nos conduzir ao entendimento profundo sobre Jesus Cristo. O vento forte e a tempestade representam todo poder autoritário gerador da opressão e da morte. Este poder vem pelo mar (também símbolo do medo, pois representa o poder opressor do exército romano).

Contra todas essas forças que provocam medo e morte, está Jesus Cristo, o pão que dá a vida. Jesus caminha sobre o mar. Isto quer dizer que ele domina todos esses poderes. Isto porque reconhecem que Jesus venceu a morte; que ele ressuscitou!

Temos então duas teofanias aqui: Jesus caminhando sobre o mar e sua autoproclamação: “Eu sou”, que remete ao Nome Divino (Ex 3,14-15). Diante dessa Boa Notícia, vamos abrir nossos olhos e enxergar Jesus Cristo como aquele que “de tão humano só pode ser Divino”.

Abrir os olhos da fé é estar em fidelidade ao seu Seguimento; é praticar aqui entre nós o que ele nos ensinou. E o que ele nos ensinou? Aqui, no capítulo 6, Jesus nos ensinou a partilhar o pão (Jo 6,1-15). Na solidariedade, vencemos o medo. Então também devemos partilhar; inclusive através do anúncio e também da vivência do Evangelho. Esse é o modo de vencermos o medo.

É tempo de sermos proativos para vencer as tempestades da vida. Neste ano de eleição, comecemos a partir de uma ação simples que vai fazer toda a diferença: vamos garantir nosso direito ao voto. Para quem ainda não fez seu título de eleitor ou renovou, está na hora de fazê-lo. O Papa Francisco nos exorta a exercer nossa cidadania política. Ele vai dizer que “a política é a forma mais alta da caridade”.

Votar é decidir o futuro para todos, sobretudo para aqueles que estão empobrecidos. Por isso, votar é partilhar o pão da vida, o pão da igualdade, dos direitos humanos. Vamos ser cidadãos conscientes!

 


Ouça no Podcast Ignatiana


Simone Furquim Guimarães é mestre em Teologia na linha bíblica. Tem experiência na área de Leitura Popular da Bíblia no Centro de Estudos Bíblicos (CEBI/Planalto Central).


Esta reflexão bíblica foi originalmente apresentada no Programa de Justiça e Paz, produzido pela Comissão de Justiça e Paz da Arquidiocese de Brasília, que vai ao ar todo sábado, às 11:00, na Rádio Nova Aliança.

Desde outubro de 2020, também disponível no podcast Ignatina.

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IGNATIANA é um blog de produção coletiva, iniciado em 2018. Chama-se IGNATIANA (inaciana) porque buscamos na espiritualidade de Inácio de Loyola uma inspiração e um modo cristão de se fazer presente nesse mundo vasto e complicado.

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