Mulher educadora e sábia

Simone Furquim Guimarães

Ainda neste mês de março, tempo de fazer memória das resistências e lutas das mulheres ao longo da história humana, podemos conciliar com tema sobre Educação, proposto pela CF deste ano. É oportuno então falar das lutas e resistências das mulheres na Bíblia e falar sobre a mulher educadora e sábia.

É importante entender que na sociedade do povo de Israel antigo, a casa era o lugar mais importante, pois era uma sociedade tribal e do clã. E a mulher tinha o papel essencial, pois era a geradora, perpetuadora da vida.  E por este motivo, tinha também a responsabilidade pelo futuro dos filhos, de transmitir a identidade da tribo, os costumes e a memória do Êxodo, a fé do Deus libertador. Era ela que instruía as crianças. Até os 12 anos de idade, o menino ficava sob a responsabilidade da mãe, era educado pela mãe, dificilmente ele ficava junto do pai. Só depois que ele fizesse um ritual de iniciação à vida adulta, chamado Bar Mitsvá, é que passava a aprender o ofício do pai. Este ritual Jesus fez aos 12 anos de idade, que é responder perguntas dos rabinos e fazer perguntas para  os rabinos, para mostrar que estava por dentro de todas as informações para colocar em prática a religião.

Nos livros Sapienciais ou livros de Sabedoria, a sabedoria divina recebe uma personificação e é tratada como uma mulher: ora uma mulher jovem, ora uma mulher adulta. No Primeiro Testamento, a mulher aparece como símbolo da sabedoria divina porque, para o povo da Bíblia, sabedoria não é algo que se consegue com livros, mas com a maturidade, a experiência de vida, é saber tomar a decisão certa. Então, as mulheres que aparecem na Bíblia, sempre aparecem quando os homens estão confusos, estão com medo, não sabem o que fazer; daí eles recorrem à sabedoria das mulheres. Temos como exemplo, as sábias decisões tomadas pela profetisa Débora, no livro de Juízes, capítulo 4.

Temos a sabedoria de Rute, de Judite e Ester. Todas são protagonistas da história de salvação de seu povo, pois as mulheres guardam e alimentam, de geração em geração, a memória de uma história de vida e a fé no Deus vivo e que quer vida para todos.

Jesus Cristo aprendeu com sua mãe esta fé no Deus libertador. Recordemos que é Maria que canta e dança o Magnificat. E Jesus aprendeu também com a mulher Siro Fenícia que a universalidade da salvação de Deus é para todos e não somente para os judeus.

Assim como a mulher Siro Fenícia, que sai de sua casa, que grita e enfrenta a sociedade da época, que ensina com sabedoria, também nós mulheres continuemos a vencer as barreiras do patriarcado que querem manter a mulher no espaço doméstico e submissa ao homem.


Ouça no Podcast Ignatiana


Simone Furquim Guimarães é mestre em Teologia na linha bíblica. Tem experiência na área de Leitura Popular da Bíblia no Centro de Estudos Bíblicos (CEBI/Planalto Central).


Esta reflexão bíblica foi originalmente apresentada no Programa de Justiça e Paz, produzido pela Comissão de Justiça e Paz da Arquidiocese de Brasília, que vai ao ar todo sábado, às 11:00, na Rádio Nova Aliança.

Desde outubro de 2020, também disponível no podcast Ignatina.

Palavra de Deus Simone Furquim Guimarães

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IGNATIANA é um blog de produção coletiva, iniciado em 2018. Chama-se IGNATIANA (inaciana) porque buscamos na espiritualidade de Inácio de Loyola uma inspiração e um modo cristão de se fazer presente nesse mundo vasto e complicado.

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