Justiça e proteção

Simone Furquim Guimarães

Marcos 11,27-33

O texto aponta para o gesto da viúva que oferta no cofre do Templo tudo o quem tem de valor material.

Este texto relata o caso de uma mulher que não tinha nome, que era conhecida por ser viúva, ou seja, por antes pertencer a um homem e agora, na condição de viúva, estar na pobreza.

Nos capítulos 12 e 13 de Marcos, Jesus trava discursos com seus opositores e com seus discípulos sobre a questão da salvação. E nestes ensinamentos adverte sobre a exploração dos interesses religiosos “que devoram as casas das viúvas” (Mc 12,40), fazendo referência à exploração econômica que leva a desigualdade social e o empobrecimento, sobretudo das pessoas mais socialmente fragilizadas.

Aquela mulher sem nome fazia parte da categoria social de pessoas que, segundo a Lei (Dt 10,18), Israel deve fazer justiça e proteger. Mas no tempo de Jesus já fazia muito tempo em que esta Lei não era cumprida pelos judeus. Marcos mostra as condições precárias em que aquela viúva estava vivendo. Pois, na penúria em que vivia, lançou como oferta as duas moedinhas (um quadrante, v. 42). O quadrante é uma moeda romana de cobre que valia um quarto de centavo.

Jesus, o verdadeiro pão partilhado, denuncia que está faltando pão no centro do poder político, econômico e religioso para as viúvas, para as categorias sociais marginalizadas daquele tempo.

E neste contexto de conflito em torno do Templo, de autoridades religiosas que se exaltam e exploram as pessoas, Jesus aponta a figura da mulher como exemplo verdadeiro de demonstração de fé e de doação. A pobre viúva é a chave de leitura sobre a salvação que Jesus toma como exemplo para ensinar a multidão e os discípulos. É a chave de leitura para entender o projeto de Deus.

Ao citar a viúva como exemplo de salvação, Jesus também quis denunciar as injustiças sociais, as explorações econômicas que levavam as pessoas à miséria.

Hoje, neste tempo de pandemia pela COVID-19, Jesus quer ver nossos exemplos, Jesus está a perguntar: como estão agindo as autoridades responsáveis por cuidar das categorias marginalizadas? Como os cristãos estão agindo em relação ao próximo empobrecido? Qual tem sido a opção preferencial das igrejas?

Ouça no Podcast Ignatiana


Simone Furquim Guimarães é mestre em Teologia na linha bíblica. Tem experiência na área de Leitura Popular da Bíblia no Centro de Estudos Bíblicos (CEBI/Planalto Central).


Esta reflexão bíblica foi originalmente apresentada no Programa de Justiça e Paz, produzido pela Comissão de Justiça e Paz da Arquidiocese de Brasília, que vai ao ar todo sábado, às 11:00, na Rádio Nova Aliança.

Desde outubro de 2020, também disponível no podcast Ignatina.

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IGNATIANA é um blog de produção coletiva, iniciado em 2018. Chama-se IGNATIANA (inaciana) porque buscamos na espiritualidade de Inácio de Loyola uma inspiração e um modo cristão de se fazer presente nesse mundo vasto e complicado.

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