Metanóia

Simone Furquim Guimarães

A leitura do Evangelho proposta pela igreja hoje é Lc 13,1-9. Lucas informa que os interlocutores de Jesus contam-lhe que Pilatos mandara matar Galileus, dando a entender que essa tragédia foi na verdade “castigo” de Deus por seus pecados. Era assim que muitos religiosos entendiam: se estou sofrendo, seja por doenças ou tragédias é porque cometi algum pecado. A relação com Deus é de uma teologia da retribuição, conhecida também como “teologia do medo”. Ou seja, não faço o bem porque sei que é bom, faço o bem porque temo a Deus. Faço o bem para receber favores de Deus.

Após ouvir essas ideias de castigo de Deus, Jesus conclama por duas vezes à conversão, que da língua grega é Metanóia. Esta palavra significa mudar o próprio pensamento, mudar de ideia, mudar o modo de viver a relação com Deus. Ou seja, não devo me relacionar com Deus a partir do medo do castigo, assim como os governantes da época agiam com seus cidadãos. Por isso, Jesus adverte que se continuarem pensando e agindo assim, “perecereis todos do mesmo modo” (v.3.5). Porque não é Deus que castiga, é o próprio ser humano.

Jesus chama a conversão. Para isso, logo em seguida conta uma parábola para mostrar que Deus é graça e misericórdia. Devemos nos converter para o entendimento da teologia da graça, teologia da misericórdia de Deus. 

Jesus conta a seguinte parábola: Um homem, não conseguindo colher frutos da figueira há três anos seguidos, pede para cortá-la. O vinhateiro responde: Senhor, deixa-a ainda este ano para que possa adubá-la. Depois, talvez, dê frutos. 

Por meio dessa parábola Jesus nos ensina o quanto Deus é paciente e misericordioso em que seus filhos (que são simbolizados pela figueira) se convertam e produzam frutos para o Reino. A vinha simboliza o povo de Israel, a humanidade, o mundo. Três anos é referência ao tempo messiânico de Jesus, conforme evangelho de João (três festas da Páscoa). Deus (dono da vinha) espera de nós a produção dos frutos da justiça do Reino instaurada por Jesus na sua passagem aqui na terra. Jesus usa a metáfora: Jesus é o próprio vinhateiro que tem paciência e pede ao dono da vinha (Deus) um tempo para conversão do povo (figueira) durante sua missão.

A leitura nos convida a pensar na teologia da graça, misericórdia e amor de Deus porque tenho consciência de que devo continuar a obra do Pai para que o mundo não pereça. Sou responsável por produzir o bem.

Ouça no Podcast Ignatiana


Simone Furquim Guimarães é mestre em Teologia na linha bíblica. Tem experiência na área de Leitura Popular da Bíblia no Centro de Estudos Bíblicos (CEBI/Planalto Central).


Esta reflexão bíblica foi originalmente apresentada no Programa de Justiça e Paz, produzido pela Comissão de Justiça e Paz da Arquidiocese de Brasília, que vai ao ar todo sábado, às 11:00, na Rádio Nova Aliança.

Desde outubro de 2020, também disponível no podcast Ignatina.

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IGNATIANA é um blog de produção coletiva, iniciado em 2018. Chama-se IGNATIANA (inaciana) porque buscamos na espiritualidade de Inácio de Loyola uma inspiração e um modo cristão de se fazer presente nesse mundo vasto e complicado.

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