A dor do outro deve me fazer mal

Preparação orante para a festa de Santo Alberto Hurtado
Terceiro dia

Texto de Santo Alberto Hurtado

As alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos homens de hoje, sobretudo dos pobres e de todos aqueles que sofrem, são também as alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos discípulos de Cristo.

Gaudium et spes, 1

A quem amar? A todos os meus irmãos de humanidade. Sofrer com seus fracassos, com suas misérias, com a opressão de que são vítimas. Alegrar-me com suas alegrias.
(…)
Meditar e voltar a meditar o evangelho de Jericó (cf. Lc 10, 30-37). O agonizante do evangelho é o desgraçado que encontro a cada dia, mas é também o proletariado oprimido, o rico materializado, o homem sem grandeza, os poderosos sem horizonte, toda a humanidade de nosso tempo, em todos os setores.
Ter presente em primeiro lugar a miséria do povo. É a menos merecida, a mais tenaz, a que mais oprime, a mais fatal.
(…)
O primeiro, amá-los… Amá-los até não suportar suas desgraças…
Minha missão não pode ser somente consolá-los com belas palavras e deixá-los em sua miséria, enquanto eu almoço tranquilamente, e enquanto nada me falta. Sua dor deve fazer-me mal: a falta de higiene em suas casas, sua alimentação deficiente, a falta de educação de seus filhos, a tragédia de suas filhas: que tudo o que os diminui me dilacere a mim também.
(…)
Se os amarmos, saberemos o que teremos de fazer por eles.


Excerto do texto “A quem amar?” (Reflexão pessoal, novembro de 1947) [texto original]

Leitura inspiração

«Quando o Filho do Homem vier na sua glória, acompanhado de todos os anjos, então se assentará em seu trono glorioso. Todos os povos da terra serão reunidos diante dele, e ele separará uns dos outros, assim como o pastor separa as ovelhas dos cabritos. E colocará as ovelhas à sua direita, e os cabritos à sua esquerda.

Então o Rei dirá aos que estiverem à sua direita:
“Venham vocês, que são abençoados por meu Pai. Recebam como herança o Reino que meu Pai lhes preparou desde a criação do mundo. Pois eu estava com fome, e vocês me deram de comer; eu estava com sede, e me deram de beber; eu era estrangeiro, e me receberam em sua casa; eu estava sem roupa, e me vestiram; eu estava doente, e cuidaram de mim; eu estava na prisão, e vocês foram me visitar”.

Então os justos lhe perguntarão: “Senhor, quando foi que te vimos com fome e te demos de comer, com sede e te demos de beber? Quando foi que te vimos como estrangeiro e te recebemos em casa, e sem roupa e te vestimos? Quando foi que te vimos doente ou preso, e fomos te visitar?”

Então o Rei lhes responderá: “Eu garanto a vocês: todas as vezes que vocês fizeram isso a um dos menores de meus irmãos, foi a mim que o fizeram.”

Depois o Rei dirá aos que estiverem à sua esquerda:
“Afastem-se de mim, malditos. Vão para o fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjos. Porque eu estava com fome, e vocês não me deram de comer; eu estava com sede, e não me deram de beber; eu era estrangeiro, e vocês não me receberam em casa; eu estava sem roupa, e não me vestiram; eu estava doente e na prisão, e vocês não me foram visitar”.

Também estes responderão:
“Senhor, quando foi que te vimos com fome, ou com sede, como estrangeiro, ou sem roupa, doente ou preso, e não te servimos?”

Então o Rei responderá a esses:
“Eu garanto a vocês: todas as vezes que vocês não fizeram isso a um desses pequeninos, foi a mim que não o fizeram”.

Portanto, estes irão para o castigo eterno, enquanto os justos irão para a vida eterna.»

Mateus 25,31-46
Reflexão

Na carta escrita para marcar a canonização de Alberto Hurtado, Pe. Kolvenbach, então superior geral dos jesuítas, afirmou:

Precisamente porque ele estava realmente apaixonado por Cristo, fixou seu olhar no Senhor Jesus e no Seu modo de vida, enquanto ele ainda estava na terra. Ele passou longas horas contemplando a maneira como Jesus agiu em várias situações em que se encontrava. Com os olhos do coração, Padre Hurtado admirava especialmente a maneira pela qual Jesus dava atenção às pessoas, como ele fazia seu o sofrimento dos que estavam com dor.

— Podemos seguir nosso caminho tranquilamente cada vez que encontramos um agonizante pelo caminho, para o qual somos “o único próximo”?

— Quem são os agonizantes do nosso tempo?


Preparação orante para a festa de
SANTO ALBERTO HURTADO
IntroduçãoIIIIIIIVVVIVII

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IGNATIANA é um blog de produção coletiva, iniciado em 2018. Chama-se IGNATIANA (inaciana) porque buscamos na espiritualidade de Inácio de Loyola uma inspiração e um modo cristão de se fazer presente nesse mundo vasto e complicado.

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