Agar

Simone Furquim Guimarães

A Bíblia contém histórias de muitas mulheres e mães importantes para o povo de Deus. A que mais marca nossa caminhada de fé é Maria, mãe de Jesus e nossa mãe. Costumamos falar bastante dela e não sem razão.

Mas na Bíblia também há outras mães que não são tão lembradas nas liturgias, e que espelham muitas mães em nosso país.

Hoje gostaria de falar sobre Agar, que era mãe, estrangeira e escrava. Conhecemos muito pouco sobre ela. Somente que foi escrava e que gerou Ismael, patriarca do povo árabe. Ela está no livro do Gênesis, em dois capítulos: 16,1-16 e 21,1-21, e ocupa uma importante conversa sobre salvação, promessa e benção divina.

Sara, mulher de Abraão amargava a condição de não poder ter filhos. Mas podia dispor de suas escravas para ter filhos no seu lugar. O filho da escrava era como se fosse o filho da patroa.

Neste aspecto, a situação de Agar se agrava mais, pois além de ser estrangeira, escrava, passou a ser usada como objeto numa relação para conceber filho para outra mulher.

Depois que Ismael nasceu, Sara teve ciúmes de Agar e, por este motivo, Abraão, expulsou-a de sua casa. Agar então passou a ser uma mulher sem abrigo, sem trabalho, sem sustento para ela e seu filho. Ela estava sozinha com seu filho em um lugar inóspito, o deserto, ouvindo o grito de choro do filho, temia vê-lo morrer.

É neste contexto que Deus decide, toma a iniciativa e vai ao encontro de Agar. Ela se torna o SUJEITO TEOLÓGICO. É a primeira mulher a gozar essa experiência de TEOFANIA. Agar vê Deus e fala com Ele. Ela dá nome a Deus: “Tu és El-Roí (v.13). Deus prevê espaço histórico para ela, seu filho e seus descendentes (v.9-12).

Que tens, Agar?
Não tenhas medo, pois Deus, do lugar onde está, ouviu a voz do menino.
Levanta-te, toma o menino e segura-o pela mão, porque farei dele uma grande nação.

Gn 21,17-18

Deus aparece, tirando dela todo o terror da morte e assegurando-lhe a certeza da vida. É o mesmo Deus que mais tarde ouve o grito do povo oprimido no Egito e desce para libertá-lo, conforme o livro do Êxodo.

Agar pode ser lembrada na vida de mães que são migrantes que estão em busca de uma vida melhor. Ela reflete todas as mães que lutam sozinhas para criar seus filhos e, mesmo na extrema dificuldade da vida, suportando fome, sede, desemprego; mulheres sem teto, sem as condições básicas de proteção a vida. Agar também pode ser lembrada como muitos casos de violência doméstica entre patrões e empregadas. Agar, nesse dia das mães, deve nos inspirar a sermos como ela: protagonista de bênçãos e promessas divina.


Simone Furquim Guimarães é mestre em Teologia na linha bíblica. Tem experiência na área de Leitura Popular da Bíblia no Centro de Estudos Bíblicos (CEBI).

Esta reflexão bíblica foi originalmente apresentada no Programa de Justiça e Paz, produzido pela Comissão de Justiça e Paz da Arquidiocese de Brasília, que vai ao ar todo sábado, às 11:00, na Rádio Nova Aliança.

Imagem: Gerard de Lairesse — Agar no deserto, séc. XVII. State Hermitage Museum.

Palavra de Deus

1 comentário Deixe um comentário

  1. Simone, que belo texto. Sabia da história de Agar, mas só pela metade. Nem sabia o nome dela. Que bom saber agora que “Agar, nesse dia das mães, deve nos inspirar a sermos como ela: protagonista de bênçãos e promessas divina.” Assim seja.

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