Qual é o nosso alvo?
Simone Furquim Guimarães
A leitura de hoje é Lc 13,1-9. Algumas pessoas procuraram Jesus para lhes dizer sobre o castigo que Galileus sofreram na mão de Pilatos quando o mesmo mandou matá-los. Eles entendiam que este castigo era, na verdade, um castigo de Deus por causa de seus pecados. Era assim que muitos religiosos entendiam: se estou sofrendo, seja por doenças ou tragédias é porque cometi algum pecado.
Após ouvir essas ideias de castigo de Deus, Jesus conclama por duas vezes à conversão. A palavra conversão significa mudar o próprio pensamento, o modo de ver e viver. Jesus convoca a essa mudança porque ele sabe que o pecado (que é uma palavra grega que significa “errar o alvo”) leva a pessoa à autodestruição e a destruição do coletivo. Por isso, Jesus adverte que se continuarem pensando e agindo assim, “perecereis todos do mesmo modo” (v.3.5). Eles perecerão não porque é Deus que castiga, mas sim, porque o próprio ser humano é responsável por produzir o bem ou o mal para si mesmo.
E qual é o nosso alvo? Jesus se revelou como sendo a verdade: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida” (cf. Jo 14,6). O que significa a verdade na Bíblia? Nos Evangelhos, verdade está relacionada à figura de Jesus e a sua vida que está em consonância com o projeto do Pai. Então, verdade é ser fiel ao projeto de Deus para produzir os frutos da justiça.
Este projeto se fundamenta no amor. Então o alvo é espelharmos o amor de Deus no mundo. E como fazemos isso? Produzindo frutos para o Reino. Por isso, logo em seguida, Jesus conta uma parábola da figueira que não produzia frutos, porém não foi cortada. Isto quer dizer que Deus é paciente com seus filhos (simbolizados pela figueira) para que se convertam e produzam frutos para o Reino, frutos de Justiça instaurada por Jesus. Se não produzirmos os frutos da justiça, nós mesmos estaremos nos autodestruindo.
Que o bom Deus seja nosso guia no caminho e direção de nossa vida cristã para que sejamos fiéis ao seu projeto de amor. Amém!
Evangelho
Nesse tempo, chegaram algumas pessoas levando notícias a Jesus sobre os galileus que Pilatos tinha matado, enquanto ofereciam sacrifícios. Jesus respondeu-lhes: “Pensam vocês que esses galileus, por terem sofrido tal sorte, eram mais pecadores do que todos os outros galileus? De modo algum, lhes digo eu. E se vocês não se converterem, vão morrer todos do mesmo modo. E aqueles dezoito que morreram quando a torre de Siloé caiu em cima deles? Pensam vocês que eram mais culpados do que todos os outros moradores de Jerusalém? De modo algum, lhes digo eu. E se vocês não se converterem, vão morrer todos do mesmo modo.” Então Jesus contou esta parábola: “Certo homem tinha uma figueira plantada no meio da vinha. Foi até ela procurar figos, e não encontrou. Então disse ao agricultor: ‘Olhe! Hoje faz três anos que venho buscar figos nesta figueira, e não encontro nada! Corte-a. Ela só fica aí esgotando a terra’. Mas o agricultor respondeu: ‘Senhor, deixa a figueira ainda este ano. Vou cavar em volta dela e pôr adubo. Quem sabe, no futuro ela dará fruto! Se não der, então a cortarás’.”
Lucas 13,1-9
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Simone Furquim Guimarães é mestre em Teologia na linha bíblica. Tem experiência na área de Leitura Popular da Bíblia no Centro de Estudos Bíblicos (CEBI/Planalto Central).
Esta reflexão bíblica foi originalmente apresentada no Programa de Justiça e Paz, produzido pela Comissão de Justiça e Paz da Arquidiocese de Brasília, que vai ao ar todo sábado, às 11:00, na Rádio Nova Aliança.
Desde outubro de 2020, também disponível no podcast Ignatiana.
Ano C — Sábado. São Lucas
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