Igreja: lugar dos encontros da vida
Simone Furquim Guimarães
A leitura do Evangelho hoje é Jo 2,13-22. Jesus vai ao Templo de Jerusalém e expulsa os vendedores de oferendas para o sacrifício, e derruba as mesas dos cambistas: “Não façais da casa de meu Pai um mercado”. Os judeus queriam um sinal para que Jesus provasse que era filho de Deus. Jesus responde que tem poder de erguer o Santuário em três dias. Essa resposta é explicada pelo evangelista João, dizendo que o santuário é a própria pessoa do Cristo, que morrerá, mas ressuscitará no terceiro dia.
O evangelista nos indica dois sentidos para a palavra Templo. Nos versos 13, 14 e 15 o termo “hieron”, em grego, refere-se à construção; e nos versos 19,20,21 o termo “naós”, em grego, refere-se a santuário; que no caso, é a própria pessoa de Jesus.
Jesus estava muito indignado porque aqueles vendilhões estavam desvirtuando os dois sentidos de Templo; uma vez que exploravam a fé das pessoas para enriquecimento ilícito. Com isso, a religião havia perdido o sentido que é de ligar as pessoas a Deus.
Jesus encontrou ali no Templo violência patrimonial e espiritual; pois as pessoas peregrinavam de lugares distantes para adorar e cultuar Deus no Templo. Muitos não podiam levar seus animais, então compravam no próprio Templo. Por ano, eram negociados em torno de 18 mil animais no período da festa da páscoa. A venda de animais, a troca de moedas eram formas de enriquecimento do Templo (ou seja, dos sacerdotes) e do governo de Herodes. Quem não sacrificasse um animal era considerado impuro, pecador, indigno da salvação por Deus. A exclusão e exploração das pessoas era a violência cruel em nome de Deus. Jesus continuamente criticava esse comportamento das lideranças religiosas de seu tempo: “Misericórdia que eu quero, e não sacrifícios” (cf. Mt 12,7).
Para nossos dias, a leitura de João é provocadora, pois todo templo que é erguido para explorar a fé dos fiéis é condenável por Deus. A igreja não pode imitar o “deus mercado”, que destrói a vida e a dignidade de vida das pessoas, pois marginaliza, promove a miséria e a fome.
E Jesus vai além, o templo agora (a igreja) somos nós; o santuário é a vida das pessoas; a igreja deve ser lugar dos encontros da vida, de comunidade fraterna, de comunhão e não de exploração. Amém!
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Simone Furquim Guimarães é mestre em Teologia na linha bíblica. Tem experiência na área de Leitura Popular da Bíblia no Centro de Estudos Bíblicos (CEBI/Planalto Central).
Esta reflexão bíblica foi originalmente apresentada no Programa de Justiça e Paz, produzido pela Comissão de Justiça e Paz da Arquidiocese de Brasília, que vai ao ar todo sábado, às 11:00, na Rádio Nova Aliança.
Desde outubro de 2020, também disponível no podcast Ignatiana.
Ano B — Sábado. Dedicação da Basílica do Latrão.
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IGNATIANA é um blog de produção coletiva, iniciado em 2018. Chama-se IGNATIANA (inaciana) porque buscamos na espiritualidade de Inácio de Loyola uma inspiração e um modo cristão de se fazer presente nesse mundo vasto e complicado.
