Segunda-feira da 2ª semana da Páscoa
Retiro Pascal 2024 — 2ª semana
8 de abril de 2024
Anunciação do Senhor
Isaías 7, 10-14:8,10
Salmo 39,7-11 Eis que venho fazer, com prazer, a vossa vontade!
Hb 10, 4-10
Lc 1, 26-38 – “Eis serva do Senhor. Faça-se em mim segundo a tua palavra.”
Pedido da graça
“De me alegrar e saborear intensamente – como Maria – pela vinda do Filho de Deus ao nosso mundo”.
Pistas para a oração
Neste dia, em meio à celebração da Páscoa, celebramos a Festa da Anunciação do Senhor. Comumente, esta festa é celebrada no dia 25 de Março, nove meses antes do Natal. Em virtude, claro, da festa pascal, se transfere para ocasião mais propícia sem nunca cancelar, uma vez que se trata de uma grande solenidade, pois estamos falando do mistério da vinda do Senhor.
A Igreja, em sua sabedoria, nos propõe hoje, portanto, uma aproximação entre Páscoa e Anunciação como faces de um mesmo mistério, mistério de amor. O Evangelho que lemos neste dia, Lc 1,26-38, é a porta para saborear tão grande mistério. O diálogo entre Deus e sua Escolhida é marcado pelos “santíssimos sinais e efeitos da Ressurreição do Cristo”. As primeiras palavras do Anjo Gabriel a Nossa Senhora são o fruto que buscamos neste retiro de páscoa: alegria, encher-nos de graça que não deixa dúvidas sobre a presença de Deus, amorosa e sempre ao nosso lado. O Senhor, verdadeiramente, está no meio de nós. Experimentar e não duvidar dessa presença é fonte de vida e plenitude. A cena evangélica da anunciação transpira a proximidade de Deus em sua luminosidade que transcende tempo e lugar, que se comunica ao ser humano aberto pela docilidade do coração. Deus, que nos criou por amor, agora vem, no Mistério da Encarnação, nos fazer conhecer, acolher e saborear este mesmo amor: Deus nos criou para se revelar a nós e Ele se revela a nós, recriando-nos no seu Espírito, o qual nos faz novas criaturas no Filho muito amado, Cristo Jesus. Maria, nossa mãe, mãe do Verbo e mãe da humanidade, é a interlocutora atenciosa que acolhendo a Palavra lhe dá carne em sua própria carne: o Verbo de Deus se faz carne no ventre desta que se abre – na alegria da consolação – para realizar a vontade do Senhor.
Ao modo de Santo Inácio
Santo Inácio nos sugere contemplar este mistério como que olhando para um quadro com três divisões. Num primeiro lance, vemos a humanidade sobre a terra. A diversidade de línguas, pessoas, costumes, pensamentos, ideologias. Diversidade em suas culturas e costumes, modos de vestir e de comer; viver e se relacionar. Ver seus rostos, sua beleza e grandiosidade, etc. Ouvir suas palavras, agradecimentos e imprecações, louvores e desesperos. Perceber tantas atitudes que constroem o ser humano e outras tantas que o levam à ruína. Perceber como tantos – sem Deus – vão pelo caminho da perdição, construindo seus infernos.
Num outro lance do mesmo quadro, olhamos e ouvimos a Trindade Santa em seu mistério infinito em sua decisão de salvar a todos os seres humanos. Vendo tanta gente que se perde, por sua benevolência e amor a Trindade confabula e decide que a Segunda Pessoa venha a se encarnar.
No terceiro lance, vemos o Anjo e Maria. Em contraste com os dois primeiros lances – marcados pelo imenso e grandioso – vemos a singeleza e “insignificância” do lugar em que se encontram Gabriel e Nossa Senhora: uma casa humilde e pobre numa vila perdida numa província romana da Judéia. O tempo se cumpriu e amadureceu uma mulher, jovem e despossuída de poder e riqueza e ao mesmo tempo zelosa e cheia da graça de Deus.
Na oração sou chamado a ver, sentir e saborear – sem pressa ou correria – a beleza destas cenas. Onde encontrar o repouso para meu coração e espírito, paro. Deixo que a imaginação, iluminada pela Palavra, vá formando em mim um coração semelhante ao coração de Maria na abertura a cumprir a vontade de Deus.
Na oração
Tome consciência de que está na presença de Deus e marque seu corpo, fervorosamente, com o sinal da cruz. Respire fundo e diz para si mesmo(a) “Meu Senhor e meu Deus, eis-me aqui para este encontro Contigo. Que todo o meu ser, meus desejos, pensamentos e imaginação estejam voltados unicamente para te amar e servir neste tempo precioso de encontro. Concede-me, Senhor, esta atenção necessária e este coração voltado para sua vontade”.
Lembre a história e crie na imaginação. A imensa vastidão do mundo com suas gentes, costumes, línguas, culturas, diferenças e como muitos se perdem. A Trindade em seu imenso amor e desejo de que o ser humano viva, decide – no íntimo de seu coração – que a Segunda Pessoa venha a nos salvar. Numa casa simples, de um lugar pobre, uma jovem reza e fala com o Mensageiro de Deus.
Pede a graça deste tempo pascal: “a graça de me alegrar e saborear intensamente – como Maria – pela vinda do Filho de Deus ao nosso mundo”.
Pontos.
Com a imaginação veja a imensidão e vastidão da Terra e as diversidades de gentes, culturas, línguas, religiões, raças, etc. Ouça as palavras, gritos e louvores, imprecações e súplicas de tanta gente. Veja como muitos não encontram no caminho da vida e se perdem na morte.
Com a imaginação veja a Trindade em sua deliberação de amor. Ouça as Palavras: “Eis que o tempo se cumpriu…”. “Façamos a redenção do ser humano”. “Eis que eu venho ó Pai, com prazer, cumpro a vossa vontade…”
Leia o texto de Lc 1,26-38. Com a imaginação veja o Anjo em sua missão de anunciar e a Virgem com sua atitude de escuta da Palavra. Ouça as palavras e saboreie o mistério nos sentimentos de paz e consolação que ele te revelar.
Onde encontrar sabor e gosto, permanece. Não tenha pressa de ir adiante. Parou o fervor, volta ao itinerário e caminho propostos.
Faça seu colóquio: deixe seu coração transbordar de alegria, conversando com Nossa Senhora, ou com o Anjo, ou com a Trindade ou com o Verbo no seio da Virgem. Termine com um Pai Nosso.
Colóquio em poesia – para mais saborear esse encontro…
Segundo os critérios deste mundo
Francys Silvestrini Adão SJ
chamam-me doutor
mas para entrar em Teu Reino
devo reconhecer meu não saber
e permanecer um aprendiz
Segundo os critérios deste mundo
a alegria vem de honras e acúmulos
mas para entrar em Teu Reino
devo tornar-me leve e livre
como o Vento e o Mistério
Segundo os critérios deste mundo
busca-se crescer e não depender
mas para entrar em Teu Reino
devo aceitar permanecer filho
na elevação e no abaixamento
Sim só Tu és Mestre da Vida Nova
Sempre viveste como Ressuscitado
porque não retiveste nada para Ti
Ensina-me aqui na terra
a inspirar e expirar
a receber e entregar
a morrer e renascer
Assim meu ser inteiro
pouco a pouco
será para os outros
um dom do Alto
um som do Teu Sopro
um pedacinho do Teu Céu
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