2º Domingo da Páscoa

Retiro Pascal 2024 — 2ª semana

7 de abril de 2024
Domingo da Divina Misericórdia

Atos dos Apóstolos 4,32-35
Salmo 117(118),2-4.16ab-18.22-24 “Dai graças ao Senhor, porque Ele é bom; eterna é a sua misericórdia!”
1 Carta de João 5,1- 6
João 20,19-31 – “A paz esteja com vocês”

Pedido da graça

“De me alegrar e saborear intensamente a glória e a consolação que nos é dada em Jesus Cristo Ressuscitado”.

Pistas para a oração

Santo Inácio nos ensina que ao contemplar os mistérios da ressurreição do Senhor devemos pedir a graça da consolação e perceber como o Senhor vem ao encontro de seus discípulos ao modo como os amigos costumam se consolar uns aos outros (EE. 224). Conforme nota da tradução dos Exercícios Espirituais das Edições Loyola, de 1985, “é dando-nos seu Espírito que Cristo é nosso Consolador (Jo 14,16). As consolações produzidas na alma são fruto do Espírito do Cristo Ressuscitado”. Portanto, devemos pedir insistentemente este dom que o Senhor quer nos dar. Na Consolação, nossa alma como que “fica mais próxima de Deus”, isto é, não duvida de sua presença na vida ao experimentar um aumento da fé, da esperança e da caridade. É na Consolação que podemos tomar decisões mais acertadas porque neste momento não há dúvidas de que estamos sendo conduzidos por Deus.

O Ressuscitado traz em si as marcas da paixão. São as marcas do amor de uma pessoa que ao longo de sua vida desviveu-se em favor dos outros. Jesus sofreu a cruz por causa da vida doada, por ter passado a vida fazendo o bem. Portanto, as marcas que o Ressuscitado traz são as marcas da cruz à qual Jesus foi levado pelas opções de amor pela humanidade e pela dedicação aos que se aproximaram de si.

Olhando para Jesus em sua vida pública vamos nos dar conta de sua ação em favor dos últimos. Ele sempre agiu ao modo do Bom Pastor, indo atrás dos últimos e dos deserdados (veja, a exemplo, a cura do “endemoniado de Gerasa”, narrado no Evangelho de Marcos); Jesus agia ao modo do Bom Samaritano, cuidando dos enfermos e caídos no caminho (sabendo, por exemplo, da doença da sogra de Pedro, dela se aproximou, tomou-a pela mão, ressuscitou-a e a febre a deixou!); Jesus é o semeador que saía diariamente a lançar as sementes do Reino nos corações… Desse mesmo modo podemos compreender a ação do Ressuscitado. A ação misericordiosa de Jesus continua e agora sem as limitações de tempo e espaço, e como Senhor da História – pela graça do seu Espírito – também alcança a cada um de nós.

Aos discípulos Jesus se deixa ver. E, como um amigo que muito ama, não vem lembrar incoerências, negações, traições ou a fuga na hora derradeira. Por isso, ao “se deixar ver” no meio da comunidade, Ele traz a paz, se deixa tocar em seu corpo glorioso e dá alegria aos seus. Estes a quem o Senhor se dirige, como ovelhas desgarradas e espalhadas, estão perdidos; por causa da decepção consigo mesmos em autocentramento e mergulhados no medo, estão doentes e necessitam do médico; sem esperança de futuro, estão mortos e também anseiam por serem resgatados. Jesus vem e é Dele a iniciativa. Jesus vem a eles para os socorrer antes de corrigir porque, a bem da verdade, esta sempre foi a pedagogia de Jesus: o amor e o Reino vêm de graça e a conversão pessoal lhe segue como sinal da sua presença no coração.

Na oração

Tome consciência de que está na presença de Deus e marque seu corpo, fervorosamente, com o sinal da cruz. Respire fundo e diz para si mesmo(a) “Meu Senhor e meu Deus, eis-me aqui para este encontro Contigo. Que todo o meu ser, meus desejos, pensamentos e imaginação estejam voltados unicamente para te amar e servir neste tempo precioso de encontro. Concede-me, Senhor, esta atenção necessária e este coração voltado para sua vontade”.

Lembre a história e crie na imaginação o lugar em que se dá este encontro de Cristo Ressuscitado com os discípulos. No domingo, a comunidade está fechada no Cenáculo. Tem medo dos judeus. Jesus Ressuscitado se revela no meio deles e lhes dá sua paz, sua alegria, seu Espírito e os envia em missão.

Pede a graça deste tempo pascal: “a graça de me alegrar e saborear intensamente a glória e a consolação que nos é dada em Jesus Cristo Ressuscitado”.

Pontos.

Perceber o ambiente no qual se reúne a comunidade e o clima tenso marcado pelo medo, pelo ressentimento, pelo fracasso e pela dor. Portas e janelas fechadas, a escuridão do lugar. O Cristo Ressuscitado se deixa ver e ilumina toda a realidade. Sua voz suave e conhecida lhes deseja o Shalon: “A paz esteja convosco!”. E o ambiente se transforma pela alegria de ver e tocar o Ressuscitado. Perceber o Cristo que vem como os amigos costumam se consolarem mutuamente.

O Cristo Ressuscitado lhes dá sua missão (“Como o Pai me enviou eu os envio…”), dá-lhes seu Espírito, o poder e a missão de perdoar os pecados.

A ausência de Tomé, a sua desconfiança e quando do encontro com o Cristo, a declaração mais profunda de fé de todas as Escrituras: “Meu Senhor e meu Deus”.

Onde encontrar sabor e gosto, permanece. Não tenha pressa de ir adiante. Parou o fervor, volta ao itinerário e caminho propostos.

Faça seu colóquio: deixe seu coração transbordar de alegria junto ao Ressuscitado. Termine com um Pai Nosso.

Colóquio em poesia – para mais saborear esse encontro…

Senhor da Paz definitiva
muitas vezes
eu pareço tanto
com Teu apóstolo ausente
Com razão
ele e eu queremos
ter um encontro pessoal
contigo Crucificado-Ressuscitado
Mas sem razão
queremos Te impor
nossas próprias condições
Revela-me
o que ele compreendeu
quando a comunidade acolheu
sua ausência e sua incredulidade
sem excluí-lo?
O que ele sentiu quando
em Tua divina generosidade
Tu quiseste encontrá-lo
aceitando submeter-Te
às suas humanas condições?
O que passou no coração dele
para deixar brotar em seus lábios
uma das mais bonitas e firmes
confissões de fé?
Que eu seja alcançado
por esta transformação interior
e viva meu caminho de conversão
Assim serei digno de provar
a última bem-aventurança
A felicidade da fidelidade
sem condições

Francys Silvestrini Adão SJ

Espiritualidade cristã Retiro Pascal

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IGNATIANA é um blog de produção coletiva, iniciado em 2018. Chama-se IGNATIANA (inaciana) porque buscamos na espiritualidade de Inácio de Loyola uma inspiração e um modo cristão de se fazer presente nesse mundo vasto e complicado.

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