O Messias

Simone Furquim Guimarães

A leitura do Evangelho hoje é Jo 7,40-53. Houve uma divisão entre os judeus por causa da expectativa messiânica em torno de Jesus. Uns diziam: “Ele é o Messias”. Outros diziam que ele era Profeta. Outros discordavam: “Porventura o Messias virá da Galileia? Não diz a Escritura que o Messias será da descendência de Davi e virá de Belém, povoado de onde era Davi?”. Os fariseus e sacerdotes amaldiçoaram aqueles que professaram Jesus como o Messias: “Esta gente que não conhece a Lei, é maldita!”. Contra Nicodemos, que era o chefe do sinédrio e admirava ocultamente a Jesus, disseram: “Também tu és galileu, porventura? Vai estudar e verás que da Galileia não surge profeta”.

No tempo de Jesus havia muitas expectativas messiânicas. Os saduceus sonhavam com a possibilidade de restaurar a monarquia davídica. Os zelotas, esperavam um messias como o rei Davi guerreiro. Os batistas esperavam um Messias como um juiz severo. E o povo pobre e excluído esperava um libertador (Lc 24,21).

Aprendemos com as primeiras comunidades cristãs em torno do Evangelho de João que Jesus é o Messias, mas não da realeza, nem com poder de exército. Jesus é o Messias, o Ungido, o rei que vem montado no burrinho para demonstrar que o seu poder é se colocar a serviço; é um poder popular; por isso lavou os pés de seus discípulos como gesto de seu poder serviço (Jo 13). O seu reino não é como os reinos deste mundo (Jo 18,33-37). É importante ressaltar que os primeiros cristãos em torno dos Evangelhos fazem questão de anunciar Jesus como rei; isto porque querem mostrar a qualidade do verdadeiro rei: é aquele que deve estar a serviço das pessoas, assim como ensinou Jesus Cristo.

Nosso desafio cotidiano hoje é seguir os ensinamentos do Evangelho e não desviar nossa fé. Muitas vezes somos tentados em ter fé num Jesus Messias violento, que prega o poder pelas armas, a vingança, o castigo, que legitima a opressão e a morte; e esquecemos que Jesus foi ungido para a missão de “pregar boas novas aos pobres, de proclamar liberdade aos presos e recuperação da vista aos cegos e para libertar os oprimidos e proclamar o ano da graça do Senhor”. (Lc 4,18.19).

É importante compreender também que pelo batismo, cada um de nós se torna sacerdote, profeta e rei. Portanto, todos nós somos também ungidos para exercer a liderança, o poder, porém, o poder serviço. Essa compreensão é necessária, pois parte de nós, em coletividade, exercer essa ação messiânica e não ficarmos de braços cruzados esperando que um/a salvador/ra irá nos livrar dos males que nos assolam hoje. Devemos compreender o messianismo como algo que surge de baixo para cima. Ou seja, é do povo consciente e mobilizado que se constrói a justiça e um outro mundo possível para todos e todas.


Ouça no Podcast Ignatiana


Simone Furquim Guimarães é mestre em Teologia na linha bíblica. Tem experiência na área de Leitura Popular da Bíblia no Centro de Estudos Bíblicos (CEBI/Planalto Central).


Esta reflexão bíblica foi originalmente apresentada no Programa de Justiça e Paz, produzido pela Comissão de Justiça e Paz da Arquidiocese de Brasília, que vai ao ar todo sábado, às 11:00, na Rádio Nova Aliança.

Desde outubro de 2020, também disponível no podcast Ignatina.

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IGNATIANA é um blog de produção coletiva, iniciado em 2018. Chama-se IGNATIANA (inaciana) porque buscamos na espiritualidade de Inácio de Loyola uma inspiração e um modo cristão de se fazer presente nesse mundo vasto e complicado.

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