Rezando o Evangelho do dia – Lucas 6, 45-52

Joana Eleuthério

Coragem, sou Eu – Não tenham medo!

Marcos 6, 50

Depois de alimentar a multidão faminta,
inúmeras ovelhas sem pastor,
Jesus precisava descansar antes
da outra atividade junto aos discípulos,
em Betsaida na manhã seguinte.
Mandou que os discípulos entrassem na barca
e atravessassem o lago naquela direção.

Jesus, com a consciência de ser a manifestação
do amor do Pai e da Trindade Santa,
não queria despachar o rebanho sem
a delicadeza amorosa do Bom Pastor.
Ficou para trás e despediu-se a seu modo
dos pequenos grupos, que iam se afastando aos poucos.
Em seguida, subiu ao monte para rezar.

A claridade do dia já desaparecera, os discípulos
muito calados, seguiam já na metade do lago.
Jesus, sozinho na terra, ainda rezava …
— Por que eles estariam tão calados?

Certamente, queriam ficar evangelizando na própria região,
sem desconhecidos, sem surpresas e junto aos familiares.
Estavam tentando compreender o acontecido
De dois peixes e cinco pães, surgiu uma
infinidade de cestas para alimentar tanta gente
e ainda com uma sobra muito grande.
Aquela tarde tão bonita e as pessoas tão alegres…

Esta alegria é um sinal de que o Evangelho foi anunciado e está a frutificar. Mas contém sempre a dinâmica do êxodo e do dom, de sair de si mesmo, de caminhar e de semear sempre de novo, sempre mais além. O Senhor diz: “Vamos para outra parte, para as aldeias vizinhas, a fim de pregar aí, pois foi para isso que Eu vim.” (Mc 1, 38). Ele, depois de lançar a semente num lugar, não se demora lá a explicar melhor ou a cumprir novos sinais, mas o Espírito leva-O a partir para outras aldeias.

Papa Francisco

Jesus terminou às orações e caminhava em direção à barca
Sobre as águas, observando o vulto do grupo.
percebeu como eles também estavam cansados…
Já era madrugada e mar começava a agitar-se,
com o vento meio enfurecido. Jesus aproximava
caminhando sereno em direção aos seus amigos.

Os discípulos ao o avistarem, não o reconheceram.
Pânico – de emudecidos começaram a gritar
imaginando que Jesus fosse um fantasma.
E Jesus logo estava perto deles e subiu à barca:
— Coragem, sou eu e já estou com vocês,
Por que esse medo e falta de confiança no amor do Pai?
O vento transformou-se em uma brisa salgada e aprazível.

Caros amigos, caras amigas, em meio a essa pandemia, estamos apavoradas, apavorados como os apóstolos naquela dia, mas não percamos a confiança no amor incondicional do Pai. Embora, tudo pareça muito além da nossa capacidade de compreender, não podemos ficar confusos como os apóstolos na barca. Peçamos ao Santo Espírito que nos ilumine e fortaleça a nossa certeza em relação ao seguimento, que apresenta grandes desafios, mas é a resposta que Ele espera de nós, porque conta conosco. Amém.

Brasília, 7 de janeiro de 2021


Joana Eleuthério é graduada em Letras. Servidora pública aposentada da Secretaria de Estado de Planejamento, Orçamento e Gestão do Distrito Federal.

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Imagem: Lorenzo Veneziano — Cristo salva Pedro de afogamento, 1370.

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IGNATIANA é um blog de produção coletiva, iniciado em 2018. Chama-se IGNATIANA (inaciana) porque buscamos na espiritualidade de Inácio de Loyola uma inspiração e um modo cristão de se fazer presente nesse mundo vasto e complicado.

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