Retiro Quaresmal 2020 (V)

Quinta semana

Pai, rendo-te graças porque me ouviste.

João 11,41

Jesuítas Brasil

5º Domingo – Dia 29.03

Lázaro, vem para fora.

Jo 11, 1-45

Estamos no final da primeira parte do Evangelho de João (capítulos 1 a 12). A hora de Jesus se inicia a partir do capítulo 13: É chegada a hora para o Filho do Homem ser glorificado. Em verdade, em verdade vos digo, se o grão de trigo caído na terra não morrer, fica só; se morrer, produzirá muitos frutos.
O relato da ressurreição de Lázaro é um sinal que proclama Jesus como a Ressurreição e a Vida. Quem nele crê tem a vida autêntica: se está morto ressuscita, se está vivo nunca morrerá.
O encontro de Jesus com Lázaro é o milagre e o espelho do encontro de Jesus com os homens e com as mulheres: pela fé em Jesus a vida do homem e da mulher torna-se autêntica, abrindo-se para a vida de Deus. Lázaro é a figura de todos nós e de nossa situação. Jesus está diante da morte de um amigo e diante de sua própria morte. Jesus se entristece, chora e reage, revelando-nos a força de Deus, que estava nele, para beneficiar a todos nós.
As três pessoas: Lázaro, Marta e Maria – são a própria humanidade envolta em situações da morte. A doença dele é a doença do mundo, e suas amarras são as amarras de todas as pessoas impossibilitadas de andar e viver. Jesus ressuscita Lázaro não apenas por uma questão de amizade, mas para mostrar que a vitória sobre a morte faz parte do plano salvífico do Pai. Jesus é o instrumento dessa vontade do Pai. Quem nele crê participa já de sua Vida e de sua Ressurreição. Para Jesus, a morte não é o fim. Há dois modos de ver a morte: um representado por Marta e Maria e o outro por Jesus. Para elas a morte é uma barreira insuportável, intransponível. Para Jesus se assemelha a um sono, do qual será fácil despertar. A finalidade do milagre é revelar algo de Jesus: que “Ele é a Ressurreição e a Vida”.

Segunda-feira – Dia 30.03

Eu sou a luz do mundo; aquele que me segue não andará em trevas, mas terá a luz da vida.

Jo 8, 12-20

Na proximidade da Semana Santa, a Sagrada Liturgia nos apresenta mais um diálogo entre Jesus e os fariseus. Uma lição é dada a nós por meio das palavras de Jesus: “Vós julgais segundo a aparência; eu não julgo ninguém”. Não é verdade que muitas vezes, julgamos as pessoas pela aparência? À luz da fé, qualquer pessoa, seja lá quem for, é imagem de Deus. Por isso, devemos tratar todos da mesma forma. Cada um de nós carrega dentro de si uma história, uma maneira diferente de dirigir a vida. Acolher o próximo é aprender lições da vida. Todas as pessoas nos enriquecem, comunicando-nos aspectos diferentes dessa caminhada para o Pai.

Terça-feira – Dia 31.03

Aquele que me enviou está comigo.

Jo 8, 21-30

Aparece novamente a conversa baseada na origem e destino de Jesus. A repetição das perguntas e questões revela a incredulidade dos interlocutores.
Jesus não pode ser julgado a partir dos critérios meramente humanos, porque ele é do alto, é Deus, pertence ao mundo de Deus. Jesus atualiza, manifestando que a vida é uma realidade dinâmica. Isso pode incomodar quem está habituado a vê-la de forma estática. A velha atitude de fé em Deus é apresentada de maneira comprometedora, a ponto de nos lançar numa inquietação constante. Jesus não é um mistério estático, mas aquele que projeta para o futuro.
Fazer da fé um código fechado de regras, sem descobrir essa realidade evolutiva, é inversão da mensagem de Jesus e empecilho à felicidade. Aqui aparece claramente o confronto dos dois projetos: Jesus comprometido com o plano do Pai, que é a vida, e os seus adversários com o da morte.

Quarta-feira – Dia 01.04

Jesus disse: Se permanecerdes na minha Palavra, sereis meus verdadeiros discípulos.

Jo 8, 31-42

O desejo de ser livre está no íntimo de cada ser humano. O encontro e a aceitação da verdade tornam a pessoa livre. Jesus apresenta-se como a verdade que devolverá a cada um de nós a possibilidade de ser livre, que é condição dos filhos de Deus. A adesão a Jesus não é feita somente de palavras. Ela exige prática, que pressupõe uma ruptura com o que não está a serviço da vida. O quarto evangelista, o Evangelho do João, fala frequentemente dos judeus que acreditam em Jesus, da multidão. Muitos acreditam nele. Trata-se de pessoas entusiasmadas com Jesus e com o movimento criado em torno de sua pessoa. Entusiasmo inicial sempre é fácil, mas permanecer nem sempre é fácil.

Quinta-feira – Dia 02.04

Se alguém colocar em prática a minha Palavra, jamais verá a morte.

Jo 8, 51-59

Jesus é acusado de samaritano, isto é, de heterodoxo, idólatra, blasfemo e de estar possuído pelo demônio. A resposta consiste em admitir a estranheza de sua conduta e em justificá-la: seu modo do proceder vem exigindo obediência a Deus. Pelo contrário, a atitude dos incrédulos desonra o Filho, e, em definitivo, o Pai. Em consequência, o Filho será honrado pelo Pai, enquanto seus opositores serão julgados. A revelação centraliza-se no terreno da vida. Jesus recebeu do Pai o poder de dar a vida. Os judeus, por sua vez, não compreendem, ou entendem a vida física; quanto ao que Jesus está afirmando, é a sua superioridade sobre Abraão e os profetas. A reação dos judeus supõe a convicção de que nada pode ser superior a Abraão e aos profetas.

Sexta-feira – Dia 03.04

Procuravam prender Jesus.

Jo 10, 31-42

Aqueles que não creem em Jesus tentam apedrejá-lo porque ele teria blasfemado ao declarar-se Filho de Deus. O mistério de Cristo não pode ser interpretado nas estreitas medidas de nossa mentalidade, condicionada pelas diversas limitações de nossa realidade humana. É pela fé, atitude de diálogo e busca, que se pode obter o encontro com Cristo. As autoridades judaicas rejeitam Jesus, as suas obras e o próprio Pai, que enviara o seu Filho. Diante disso, procuram prender Jesus outra vez, mas ele escapou de suas mãos.
Esse texto nos faz refletir sobre a “verdadeira liberdade”. Nem sempre somos capazes de suportar a verdade. De algum modo desejamos destruir aquilo que nos incomoda na tentação de ficar com a nossa verdade.

Sábado – Dia 04.04 (Repetição)

A oração de cada sábado consiste no exercício chamado de repetição. Trata-se de aprofundar aquilo que rezei durante a semana. Santo Inácio diz: Não é o muito saber que satisfaz a pessoa, mas o sentir e saborear as coisas internamente [EE 2]. Por isso não é apresentada uma nova matéria de oração para este dia. Faço, pois, a oração, a partir do texto ou moção que mais me consolou ou que mais me desolou na semana que passou.

PropostaPrimeira Semana
Segunda Semana • Terceira Semana
Quarta SemanaQuinta Semana


Os comentários bíblicos das semanas são extraídos do Diário Bíblico – Editora Ave Maria.

As ilustrações são de autoria de Luis Henrique – Varginha-MG.

Ao clicar no link das referências bíblicas, abre-se o texto do Evangelho de cada dia, na Nova Versão Internacional (NVI), da Bíblica (Sociedade Bíblica Internacional), no serviço Bíblia Online.

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