Segunda semana

Retiro do Advento e Natal 2020

Introdução

Mais que a vigilância, convite da semana passada, nesta somos motivados a dar uma atenção ativa ao grande profeta asceta do deserto, João Batista, que nos incentiva com uma palavra de ordem: “preparai os caminhos do Senhor e endireitai suas veredas”. A geografia a ser contemplada é antes de tudo o nosso interior, nosso coração. É aí, sobretudo, que se encontram os caminhos sinuosos, as altas montanhas, os vales profundos da separação, da divisão. Tudo construído por nós mesmos.

A ação proposta pelo Batista interpela o nosso coração à conversão. Esta é uma exigência para que o Senhor não apenas passe pelo nosso caminho, mas permaneça conosco. É uma necessidade na qual todos nos encontramos, ainda que não estejamos atentos às moções que acalentam o nosso coração. A conversão é fruto da ação e da graça de Deus. Esta é a única força capaz de mover o nosso coração para Deus. Por isso, para que ela aconteça, a condição é um profundo encontro com o Evangelho, com Cristo.

Proposta de oração
6.12 – Segundo Domingo do Advento

Preparação: Tomo consciência de que estou na presença de Deus e de que Ele deseja encontrar-se comigo. Sinto-me acolhido. Preparo meu coração para este encontro. Para isso “é preciso vestir o coração”.

Recordando a história: A tradição de Israel nos fala de um Deus que caminha com seu povo e está intimamente ligado à sua vida. Por isso em todos os tempos suscita profetas que vão à frente dos seus, indicando o caminho que devem trilhar. Nesta semana, somos convidados a seguir o profeta do deserto, olhando para dentro de nós mesmos e deixando-nos afetar pela sua proposta, ao mesmo tempo em que vamos reconhecendo as veredas, encruzilhadas e montanhas, que ainda exercem grande força dentro de nós e nos impedem de ver o verdadeiro horizonte que é Cristo.

Composição de lugar: O tempo e o lugar fortemente marcados pelo poder político e religioso. Estas duas forças exerciam grande pressão sobre uma grande massa de pobres, famintos, doentes, sedentos de vida e sem destino. É neste contexto que aparece o profeta João Batista, que arrasta uma multidão ao deserto, nas mediações do Jordão. João convida seus ouvintes a não se conformarem com tal situação, porém propõe-lhes uma mudança a partir de si mesmos. À palavra de ordem e encorajamento, o povo acorre ao deserto, paradoxalmente, lugar da saciedade e ponto de partida para os novos tempos. O deserto é o lugar para estar consigo mesmo e da pré-disposição para encontrar-se com Deus. Lugar de se desfazer das amarras e tirar do coração os impedimentos que dificultam o surgimento do novo.

Graça: Senhor, dá-me a graça de reconhecer as montanhas e vales, que me dificultam enxergar o que queres e desejas realizar em mim.

Leio o texto: Marcos 1, 1-8.

Textos para a semana
07.12 – Segunda-feira

Texto: Lucas 5, 17-26

Homem, teus pecados são perdoados…

A incredulidade constitui um dos maiores obstáculos para que a Boa Nova de Jesus penetre no coração humano. No relato lucano esta dificuldade é apresentada em forma de preconceito, quer contra Jesus que atribui a si o que, segundo o poder religioso estabelecido, somente Deus poderia fazer, que é perdoar pecados, quer contra o paralítico que, sendo tal, era considerado impuro. Quando o coração humano se volta ao seu Senhor não existem barreiras que possam impedir o verdadeiro encontro. É o que aconteceu no caso do paralítico que, estando impedido de chegar até Jesus, foi conduzido por quatro pessoas generosas que não mediram esforços para ajudar aquele necessitado. A iniciativa do encontro é de Deus. Ele espera a abertura do coração humano.

8.12 – Terça-feira

Texto: Lucas 1, 26-38

Imaculada Conceição de Nossa Senhora
Maria, um exemplo de
mulher

Não há dúvidas sobre a isenção do pecado original para Maria. A Imaculada Conceição depende da soberana vontade de Deus em sua criação. Todos os homens nascem pecadores. Entretanto, quando Deus quer, pode fazer com que uma mulher nasça sem pecado. Essa isenção revela-nos que a hereditariedade do pecado não deve ser concebida como um determinismo absoluto do mal, pois sabemos que pelo menos uma mulher não perdeu nenhum de seus talentos. Através de Maria Imaculada, sabemos que a fidelidade é possível. Maria manifesta que na fidelidade ao desígnio principal de Deus não é um mito paradisíaco. A pureza da Imaculada nada mais é do que esta transparência à vontade de Deus. Maria faz-nos compreender que a salvação não é somente o resgate dos pecadores, mas a comunicação da riqueza de Deus ao coração do homem.

9.12 – Quarta-feira

Texto: Mateus 11, 28-30

Venham a mim, todos os que estão sobrecarregados…

Hoje Jesus conta-nos algo que, a princípio, pode ser duro de entender: temos, acima de tudo, de aceitar o “jugo” de Cristo. Porém, com essa aceitação, acharemos alívio para as dificuldades e “cruzes” da humanidade que temos de suportar.

“O jugo de Cristo” é acompanhado por uma exigência: viver pelos outros, que é a causa de Jesus. Precisamos modelar os sentimentos de nossos corações, de acordo com os próprios sentimentos de Cristo humanidade e caridade.

Esse “jugo de Cristo” tem o poder de transformar nossas atitudes em atitudes sempre corretas, tornando as exigências mais agradáveis e a vida menos fatigante. Esse “jugo” dá-nos uma paz e uma liberdade duradouras, frutos do verdadeiro amor cristão.

10.12 – Quinta-feira

Texto: Mateus 11,11-15

Quem tem ouvidos, ouça.

Delicadeza da parte do Senhor. Ele mesmo testemunha a grandeza de João Batista. João não é um oportunista, mas um verdadeiro profeta. No entanto, sabendo ele que não é a Luz, mas aquele que testemunha a Luz, embora sendo grande, se faz pequeno, o menor no Reino dos céus Sua humildade se opõe à violência dos poderes e dos grandes deste mundo.

A proposta de hoje é rezar a atitude de Jesus. Aprender com Ele que, quando falamos bem dos outros, somos sinais de redenção para eles que, ao mesmo tempo, são sinais de conversão para nós. Vamos faze este exercício.

11.12 – Sexta-feira

Texto: Mateus 11, 16-19

Com quem vou comparar esta geração?

A multidão não reconhece que João era o precursor e nem que Jesus era quem João anunciava, por isso não acolhe o convite feito por João. De igual modo rejeitam também o testemunho de João, asceta, despojado, bem como a atitude alegre de Jesus, tido por eles como aquele que come com os pecadores e publicanos. Deste modo,  permanecem numa postura medíocre que lhes impede de se converterem. A verdadeira conversão exige uma tomada de atitude. Uma adesão à Palavra e ao convite de Cristo.

12.12 – Sábado

Texto: Lucas 1,39-47

Nossa Senhora de Guadalupe
Bendita és tu entre as mulheres…

Rezar hoje a alegria do verdadeiro encontro. O encontro do pai com o filho, do amigo com o amigo, de Deus com o pecador, da misericórdia com a fraqueza…Encontro este protagonizado por Maria e Izabel. Na ternura da receptividade de duas mães, o encanto do encontro de seus filhos, João Batista com Jesus. Maria sentindo-se acolhida pelo Senhor, rende-lhe graças pelas maravilhas que Ele fez em sua pequenez. Ela é o testemunho do pequeno, que reconhecendo sua condição, sai de si para se unir ao Senhor. Ela tem o coração voltado para o Senhor, por isso, ao convite do anjo, reconhecendo-o como enviado da parte de Deus, diz sim.


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Material produzido pelo Pe. Luís Renato Carvalho de Oliveira, SJ, disponível no portal dos Jesuítas Brasil

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