As relações do governo Trump com o Brasil

As relações do governo Trump com o Brasil no peculiar ano eleitoral recíproco de 2026

O tema da soberania nacional legitimamente invocado pelo Presidente Lula por ocasião da carta do Presidente Trump do primeiro semestre de 2025 estabelecendo o “tarifaço”, atribuído ao julgamento pelo STF da trama golpista liderada pelo ex-presidente Bolsonaro, rendeu a Lula merecidos apoios internos e externos. O recuo do Presidente Trump ainda em 2025, tanto no “tarifaço”, quanto das discriminações diretamente dirigidas ao Ministro Moraes do STF; consolidou apoios internos e ao mesmo tempo deixou apoiadores do “MAGA” tentando se explicar, sem convencer.

Neste final de ano de 2025 o tema da soberania volta à prioridade a partir da deposição e sequestro do Presidente da Venezuela pelo exército norte-americano, que pela maneira flagrante de violação do direito internacional é ameaça em aberto a todo mundo, em especial à América Latina.

Mas tanto no caso do ‘tarifaço’ quanto no caso da deposição e violenta prisão do dirigente venezuelano Nicolás Maduro houve no Brasil vários Governadores de Estado, vinculados à ultra direita (MG, GO, SC e SP), que apoiaram tais intervenções de maneira explícita ou simbólica (lembrar do governador de SP que chegou a vestir o boné do “MAGA”); no caso presente possivelmente aguardando  desdobramentos com vistas ao ano eleitoral de 2026.

Ora, se o tema da soberania nacional é relevante ao processo eleitoral brasileiro (mês de outubro), por outras razões também o é às eleições de novembro dos EUA (100% da Câmara de Representantes e 1/3 do Senado), que de certa forma fará juízo da política externa do governo Trump.

Por sua vez, particularmente no caso brasileiro, a conduta imperial do Presidente Trump contra a soberania territorial em geral – Venezuela, Groelândia, Irã, Cuba, Colômbia e México -, todos previamente ameaçados verbalmente de intervenção como “presente” de Ano Novo, coloca-nos potencialmente em perigo. Daí que, não deveria existir divisão interna sobre o tema da soberania nacional em tais condições, mas infelizmente não é o que acontece na conjuntura, denotando tendências doentias de servilismo, que a seu tempo precisam ser tratadas.

Nas eleições norte-americanas de 2026 certamente o tema da soberania nacional não estará em jogo da mesma maneira; mas ao contrário: o rompimento pelo governo Trump do estilo de hegemonia norte-americana do Pós-Guerra (com todos os seus condicionamentos indiretos), pelo estilo de uso da força bruta, ou mais simploriamente “bateu levou”, que tem perseguido, isolando-se diplomaticamente no mundo inteiro.

Do ponto de vista brasileiro não há dúvidas de que lado se situa a defesa da soberania brasileira no processo eleitoral – veja-se a posição do Governo Lula; restando ao lado omisso ou que explicitamente veste o boné Make América Great Again (MAGA) se explicar.  E no caso o governo Trump, por vias invertidas, consegue fortalecer os governos de centro-esquerda na AL.

Finalmente, é preciso elencar ao lado desta questão da soberania nacional alguns outros temas internos muito relevantes, que entrarão no debate eleitoral de 2026, de certa forma visitados no período de governo de 2023/2026 de maneira algo tangencial. Por razões de limite físico deste artigo não cabe aqui tratá-los, ficando implícito que o faremos nos próximos números deste ano.


Guilherme Delgado é doutor em economia pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

Imagem: Lasar Segall. Pogrom, 1937. Museu Lasar Segall.
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