Marta, Maria e Lázaro
Simone Furquim Guimarães
A liturgia hoje faz memória a Marta, Maria e Lázaro, moradores da cidade de Betânia, que na língua hebraica significa “Casa dos pobres”. No Evangelho de João (Jo 11, 19-27) Jesus vai à pequena comunidade de Betânia após a morte de Lázaro.
Jesus amava os três irmãos, conforme o versículo 5 nos informa. A palavra amor aqui é traduzida por Apagan, que significa adesão; é o amor da Aliança, assim como a aliança entre Deus e seu povo. Para o evangelista, o povo amado de Jesus eram os excluídos, os pobres, os injustiçados. Jesus faz aliança com este povo, com esta comunidade.
E Marta é liderança desta comunidade; é ela que vai até Jesus e professa a fé em Cristo, dizendo: “Sim, Senhor, eu creio firmemente que tu és o Cristo, o Filho de Deus que vem ao mundo.
Marta segue a concepção judaica sobre a fé na ressurreição após a morte. Porém, como todo judeu, até aquele momento ela não entedia muito bem como isso aconteceria. Passados longos anos da execução de Jesus, os primeiros cristãos entenderam o sentido da ressurreição. O Evangelho de João, que foi escrito entre os anos 100 a 120 d.C, faz memória da vida de Jesus e percebe que ele é a Ressurreição e a vida, pois em Jesus a comunidade cristã entendeu o projeto de Deus, o projeto de vida e de libertação para o seu povo.
É importante compreender que o texto todo (Jo 11) é uma simbologia sobre o batismo de Lázaro que entra na vida nova; vida com Cristo (cf. Ef 5,14). Ou seja, a vida física morre, como morreu Lázaro; mas na presença de Jesus, que é a Ressurreição, Lázaro vai ressuscitar.
Professamos a fé na ressurreição e no Deus da vida, porém, muitas vezes, diante da morte de um ente querido, reclamamos a ausência de Deus. E, assim como Marta, dizemos: “Senhor, se estivesses aqui, meu irmão não teria morrido”. Isto porque não compreendemos ainda o sentido do batismo e da ressurreição.
Mas Jesus está afirmando para Marta e para nós: “Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, ainda que morra, viverá. E quem vive e crê em mim jamais morrerá”. Jamais morreremos no nível da espiritualidade, da fé em Deus e seu Filho, Jesus.
À exemplo do amor de Jesus pela comunidade dos pobres de Betânia; possamos também despertar o amor fraterno e reconhecer o valor e a dignidade dos mais vulneráveis de nossa sociedade.
Ouça no Podcast Ignatiana [link]
Simone Furquim Guimarães é mestre em Teologia na linha bíblica. Tem experiência na área de Leitura Popular da Bíblia no Centro de Estudos Bíblicos (CEBI/Planalto Central).
Esta reflexão bíblica foi originalmente apresentada no Programa de Justiça e Paz, produzido pela Comissão de Justiça e Paz da Arquidiocese de Brasília, que vai ao ar todo sábado, às 11:00, na Rádio Nova Aliança.
Desde outubro de 2020, também disponível no podcast Ignatiana.
Palavra de Deus amigas amigos Amizade amizade com Jesus Bíblia Betânia CEBI Evangelho Evangelho segundo João Hospitalidade Irmãos Lázaro Leitura popular da Bíblia Marta e Maria Marta maria e Lázaro Relacionamento entre irmãs Ressurreição ressurreição de lázaro sagradas escrituras
Ignatiana Visualizar tudo →
IGNATIANA é um blog de produção coletiva, iniciado em 2018. Chama-se IGNATIANA (inaciana) porque buscamos na espiritualidade de Inácio de Loyola uma inspiração e um modo cristão de se fazer presente nesse mundo vasto e complicado.
