Religião e Espiritualidade
Cecília Pessoa
Falar de espiritualidade, a princípio, me parece ser bem difícil, apesar de uma longa vida entre duas famílias católicas, paterna e materna, que sempre seguiram os preceitos e nos mostravam a importância da fé.
Uma formação cristã de bem longa data, da qual muito me orgulho, mas que ao mesmo tempo me surpreende com novas descobertas nessa minha caminhada.
Seguindo sempre a orientação familiar, fui aos poucos crescendo e tentando descobrir maneiras através das quais eu me aproximasse mais de Deus, sem as tradicionais preces que, para mim, eram meras palavras repetidas. À exceção do Pai Nosso e da Ave Maria que sempre fizeram parte da minha vida e da de meus filhos (crias esses do Colégio São Bento e dois bem devotos), as demais não tinham grande significado para mim.
Sempre tive o hábito de “conversar com Deus”, desde bem jovenzinha. A oração para mim só fazia sentido se eu agradecesse e também pedisse, ou seja, me sentisse bem próxima Dele. DEUS nunca foi para mim uma abstração. Sempre foi bem CONCRETO e próximo.
Como acréscimo, há algumas décadas, para que eu melhor procedesse, tive a felicidade e a imensa sorte de ter tido uma excelente orientadora espiritual que me apresentou aos Exercícios Espirituais de Santo Inácio. Uma amiga muito querida, uma pessoa incomum que muito me ajudou e pacientemente me aguardou até o dia em que concordei em ser apresentada a este verdadeiro Manual da sabedoria.
A partir de então posso dizer, com certeza absoluta, que a minha vida mudou. Meu modo de pensar, o ser verdadeiramente CRISTÃ, a forma de ver a vida e, mais idosa ainda, até a forma de ver a morte.
A relação com o próximo, a certeza de que não sou NADA. Tudo é o Espírito em mim agindo constantemente e eu sendo mera transmissora ou portadora de Seus ensinamentos. A humildade que eu necessitava sentir e perceber para melhor lidar com a vida e as pessoas ao meu redor. Foi, eu diria, mais um grande MILAGRE em minha vida.
Ocorreram inúmeros milagres que, talvez, não tivessem sido valorizados e avaliados por mim como tal na época, mas que hoje tenho a convicção de que foram as mais variadas proteções divinas.
Foi com a confiança, a certeza no amparo da proteção divina que eu e minha família sobrevivemos a acidentes, sequestros, roubos e a outros fatos gravíssimos. Sempre esperançosa de que um dia tudo acabaria, ou voltaria ao normal, eu lutava e tirava coragem do fundo do meu ser contra as intempéries que iam surgindo.
Jamais teria conseguido achar força se não tivesse tido a CERTEZA da presença (quase palpável) de que Jesus esteve, estava (está e estará) sempre comigo.
Por isso, digo aos netos que se preparam para a Eucaristia que “sintam” Jesus. Que O vejam como um amigo, que conversem com Ele, exatamente como se faz com amiga/amigo. Como se fosse uma pessoa a quem mandamos mensagem por celular. Não a vemos, mas sabemos que estará do outro lado. Assim estarão bem próximos.
“Em tudo amar e servir”.
Cecília Pessoa é leiga, pertencente à Comunidade de Vida Cristã (CVX), comunidade Maria Arca da Aliança, Rio de Janeiro (RJ).
Imagem: Lígia de Medeiros. Variação do Variado 8.
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IGNATIANA é um blog de produção coletiva, iniciado em 2018. Chama-se IGNATIANA (inaciana) porque buscamos na espiritualidade de Inácio de Loyola uma inspiração e um modo cristão de se fazer presente nesse mundo vasto e complicado.

Obrigada por compartilhar sua caminhada espiritual! Ela me inspira!
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Como Deus é tão bom! Para cada filho e filha Seu, tem um modo específico de cuidar, instruir, ensinar, educar, orientar…! Muito obrigada, querida, pela linda partilha da maravilha espiritual que o Senhor das Misericórdias, faz contigo. Bem haja. Gostei.
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