Conhecendo Jesus …

Joana Eleuthério

O que vou ouvir de Jesus, hoje?

Quanto mais próximo alguém estiver do Coração de Jesus, mais perceberá suas alegrias e sofrimentos pelos homens, mulheres e crianças deste mundo e reconhecerá Sua presença hoje como ontem, atuando no mundo. Quanto mais perto estivermos do Coração de Jesus, menos indiferentes seremos ao que nos cerca, desejando nos comprometer com Jesus Cristo neste mundo, a serviço de sua missão de compaixão.

Papa Francisco

Naqueles dias, Jesus estava cansado e desejoso de ficar a sós com os apóstolos
que haviam chegado da missão há poucos dias: era muita coisa para conversar.
Tiveram dias realmente muito agitados, aonde Jesus ia, multidões o seguiam
e levavam doentes para receberem as bênçãos e curas daquele ‘profeta’…
Em um final de tarde, alimentaram cinco mil pessoas que os seguiam
Era um lugar deserto. E Jesus se compadeceu, foi a primeira multiplicação dos pães

— Os fariseus e escribas estavam sempre por perto com suas provocações.

Naquela manhã, entristecido pela morte de João Batista, Ele dirigiu-se
para a região de Tiro – não queria que percebessem a sua presença
naquela cidade. Como se isso fosse possível.
Logo apareceu uma mulher pagã – siro-fenícia e caiu-lhe aos pés:
“Senhor, liberta minha filha, um demônio apoderou-se dela.”
Contudo, ouvimos atônitos a resposta do nosso Mestre:
‘Deixa que primeiro os filhos se saciem, porque não fica bem tirar o pão
da boca dos filhos para atirá-los aos cachorrinhos
.’

A mulher continuou serena aos pés de Jesus: “É verdade, Senhor, mas os cachorrinhos comem as migalhas que as crianças deixam cair sob a mesa.”
Jesus ficou extremamente comovido com as palavras, a humildade, a paz e a fé daquela mulher estrangeira meio esfarrapada. Abençoou-a e disse a ela:
‘Por causa do que acabas de dizer, podes voltar para casa. O demônio já saiu
de tua filha e ela descansa esperando você chegar.’
Ainda perplexa, me sentei em um banco perto de João, André e Felipe.

— Será que Jesus se deixou convencer por aquela mulher?

O silêncio tomou conta daquela sala e de toda a casa onde estávamos
Todos ficamos de cabeça baixa, ninguém se atrevia a dizer nada
Jesus caminhou em direção à porta – pensamos que ele fosse sair,
mas ele olhou para o alto como costumava fazer ao se dirigir ao Pai
e disse: ‘Eu vos louvo, ó pai, pelo dom da fé dessa pobre mulher. Ela me
lembrou o essencial da Boa Nova – todos são seus filhos e suas filhas, Pai.’
Em seguida, Ele se virou para nós e nos convidou para preparar o jantar.

— Finalmente tiveram o tempo de que precisavam – toda uma noite de Luz.

Naquela celebração, cheios de alegria, os discípulos contaram tudo sobre
os detalhes daquela importante missão para um Jesus muito sereno,
em toda a sua humildade. Depois Ele falou sobre a importância de saber
escutar com o coração, antes de responder ou cair na tentação dos julgamentos.
Então me lembrei dos Exercícios Espirituais de Santo Inácio sobre a importância de ‘estarmos mais dispostos a salvar a proposição do outro do que a condená-la.’ (EE22) Foi uma confraternização muito especial, deu-nos fôlego para o dia seguinte.

De manhazinha, percebemos que Jesus já havia voltado das suas orações
da madrugada e preparava um alimento reforçado para a caminhada do dia.
Saímos de Tiro, passamos por Sidônia e outras cidades até o mar da Galileia
Mal chegamos, trouxeram um surdo que falava com enorme dificuldade e Jesus carinhosamente curou-o, com a ajuda do Pai. Ele olhou para o céu, e gritou ao doente uma só palavra: Efatá, que quer dizer “ABRE-TE! ” Ele dirigiu-se ao coração do surdo –’ viva, ouça, fale, comunique-se com seus irmãos e irmãs, com Deus e sua família’.

O surdo-mudo necessitava abrir os ouvidos e a língua, mas todos nós temos necessidade de abrir alguma dimensão de nossa pessoa, ou talvez alguma capacidade adormecida ou bloqueada.

Adroaldo Palaoro

Faz-se urgente que nós cristãos escutemos também hoje esse grito de Jesus. Precisamos nos despertar e nos relacionar com as diferentes pessoas em nosso caminho: nas nossas famílias, comunidades, na Igreja e na vizinhança…
Ouvir as pessoas, dar espaço para que o amor e a delicadeza de Jesus se façam presentes entre nós e em nós, curando-nos da nossa mudez, das nossas cegueiras, da nossa surdez e das nossas paralisias. Caminhemos com todos os nossos sentidos abertos! Assim, teremos Deus encarnado caminhando conosco…

Um Cristo próximo e solidário, companheiro de viagem, embora permanecendo como nosso Redentor.

Dietrich Bonhoeffer

Ele viveu e vive no meio de nós, como um simples ser humano, principalmente nas pessoas mais fragilizadas e invisíveis.

Efatá!

Jesus fala-nos ao coração …

Brasília, 12 de fevereiro de 2021.

Joana Eleuthério é graduada em Letras. Servidora pública aposentada da Secretaria de Estado de Economia do Distrito Federal – Escola de Governo do Distrito Federal (EGOV).
Inaciana, avó e mãe, caminha pelas estradas de Jesus, de Santo Inácio e de Santa Teresa de Ávila, por onde tem se inserido na Comunidade do Centro Cultural Brasília (CCB/Jesuítas). Muito grata pela caminhada realizada até aqui.

Todos os textos de Joana [clique aqui]

Imagem: Antonio Gomide — Cristo, 1923. Enciclopédia Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras

Poesia

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Caminhante sem nenhuma linearidade e com variados interesses – uma buscadora incansável.

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